A presidente da Associação Família Azul do Acre, Heloneida da Gama, fez um duro desabafo em vídeo divulgado nas redes sociais ao denunciar a falta de apoio do poder público à causa do autismo no estado. Segundo ela, a associação encerrou totalmente os atendimentos por falta de recursos financeiros e não há, até agora, qualquer previsão de retorno, deixando mais de 100 crianças sem atendimento especializado.

Sem recursos, entidade encerrou os atendimentos e deixou mais de 100 crianças sem assistência; até o momento, nenhum deputado se manifestou para ajudar/Foto: Reprodução
Durante a fala, Heloneida questiona diretamente a destinação das emendas parlamentares dos deputados estaduais. De acordo com ela, cada deputado dispõe de cerca de R$ 4,5 milhões em emendas, sendo aproximadamente R$ 2,5 milhões obrigatoriamente destinados à saúde e educação, enquanto os outros R$ 2 milhões podem ser aplicados conforme a escolha do parlamentar.
A presidente considera inadmissível que, mesmo com esses valores, nenhuma articulação seja feita para apoiar associações que atuam diretamente no atendimento de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA). “O que custa combinar com outro deputado e dizer: cada um contribui com 50 ou 80 mil?”, questiona, destacando que valores considerados pequenos dentro do orçamento parlamentar poderiam manter serviços essenciais funcionando.
Heloneida também fez um apelo direto às famílias e eleitores, lembrando que 2026 será ano eleitoral. Ela orienta que, durante a campanha, as pessoas perguntem aos candidatos quanto foi destinado, de forma concreta, para a Associação Família Azul ou para ações específicas voltadas ao autismo. Segundo ela, alegar investimentos genéricos na saúde ou no Estado não resolve o problema vivido pelas famílias atípicas.
A presidente ainda expôs a gravidade da situação da rede pública de atendimento no Acre. Atualmente, há mais de 5 mil crianças e adolescentes na fila de espera apenas para a primeira consulta, além de mais de 4 mil aguardando a segunda consulta. Ela também denuncia a falta de psiquiatras para acompanhamento contínuo, especialmente de adolescentes acima dos 17 anos, e a demora excessiva no diagnóstico, o que compromete o desenvolvimento e o tratamento precoce.
Outro ponto levantado é o custo enfrentado pelas famílias. Heloneida lembra que sua própria folha de pagamento mensal gira em torno de R$ 20 mil, valor que se torna impossível de manter sem qualquer apoio institucional. Mesmo assim, até o momento, nenhum deputado estadual se manifestou publicamente para apoiar a associação, apesar do impacto social do fechamento dos atendimentos.
O encerramento das atividades da Associação Família Azul aprofunda ainda mais a crise no atendimento ao autismo no Acre e acende um alerta sobre a distância entre o discurso político e a realidade enfrentada por centenas de famílias que dependem desses serviços para garantir dignidade, cuidado e inclusão às crianças e adolescentes.
