Os registros de violência doméstica e familiar contra a mulher no Acre somaram 8.079 vítimas nos anos de 2024 e 2025, conforme dados da Polícia Civil do Estado. Do total, 3.848 ocorrências foram registradas na capital e 4.231 no interior, indicando maior concentração de casos fora de Rio Branco no período analisado.

Num aspecto geral, o cenário melhorou em 2025, se comparado ao ano anterior/Foto: Reprodução
A análise do perfil das vítimas aponta predominância de mulheres pardas, que somaram 3.869 registros nos dois anos. Em seguida aparecem as mulheres brancas (885) e pretas (412). Também foram registrados casos envolvendo mulheres indígenas (96) e amarelas (48). A categoria “outros” contabilizou 422 registros, enquanto 2.347 boletins não apresentaram identificação de cor ou raça.
Na distribuição regional, a área de Rio Branco, Bujari e Porto Acre concentrou o maior número de ocorrências, com 4.067 registros, o equivalente a pouco mais da metade do total. A seguir aparecem as regionais do Juruá (1.188), Alto Acre (764), Tarauacá/Envira (757), Purus/Iaco (654) e Baixo Acre (649).
Em 2024, os meses com maior número de vítimas foram janeiro (552), abril (526) e setembro (540). O menor volume foi registrado em agosto (360). Já em 2025, os maiores números ocorreram em agosto (493) e julho (454), enquanto fevereiro (357) apresentou o menor registro.
A distribuição dos boletins por dia da semana manteve padrão semelhante nos dois anos. Em 2024, o maior número de registros ocorreu aos domingos (661), seguido pelos sábados (489). Em 2025, o domingo também liderou, com 636 ocorrências, enquanto a terça-feira apresentou o menor volume, com 339 registros.
Quanto ao período do dia, a noite concentrou a maior parte dos boletins nos dois anos. Em 2024, foram 1.098 registros noturnos, seguidos pela manhã (999). Em 2025, a noite novamente liderou, com 1.002 ocorrências, seguida pela manhã (860). A madrugada apresentou os menores números em ambos os períodos.
A análise mensal dos boletins mostra que, em 2024, o maior número de registros ocorreu em setembro (423), enquanto agosto (289) teve o menor volume. Em 2025, o pico foi registrado em agosto (409) e o menor número em fevereiro (288).
Entre os municípios, Rio Branco liderou os registros nos dois anos, com 1.639 boletins em 2024 e 1.389 em 2025. Em seguida aparecem Cruzeiro do Sul (354 em 2024 e 305 em 2025), Sena Madureira (220 e 215) e Tarauacá (194 e 180). Municípios como Santa Rosa do Purus e Jordão apresentaram os menores números em 2024, enquanto em 2025 houve aumento expressivo em Jordão, que passou a registrar 30 ocorrências.
Sobre a natureza dos crimes, a ameaça foi a principal tipificação nos dois anos, com 2.017 registros em 2024 e 1.593 em 2025, representando redução de 424 casos. A lesão corporal apresentou aumento, passando de 1.104 para 1.168 registros. O descumprimento de medida protetiva também cresceu, de 435 para 457 casos.
Outras naturezas apresentaram queda no comparativo entre os anos. Os registros de estupro diminuíram de 40 em 2024 para 18 em 2025. Os casos de stalking passaram de 134 para 92, as vias de fato de 324 para 260, e a violência psicológica de 253 para 184 registros.
Os dados indicam que, apesar da redução em algumas tipificações criminais em 2025, a violência doméstica e familiar contra a mulher permanece em níveis elevados no Acre, com concentração de registros na capital, maior incidência nos fins de semana e predominância de ocorrências no período noturno.
