A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu cassar os mandatos dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). Os atos que determina a perda dos mandatos foram publicados nesta quinta-feira (18) em edição extra do Diário da Câmara dos Deputados.

Além do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), assinam as cassações o primeiro e segundo vice-presidentes, Altineu Côrtes (PL-RJ) e Elmar Nascimento (União-BA); e os primeiro, segundo, terceiro e quarto secretários: Carlos Veras (PT-PE), Lula da Fonte (PP-PE), Delegada Katarina (PSD-SE) e Sergio Souza (MDB-PR).
Eduardo BolsonaroÂ
NotĂcias relacionadas:
- Motta notifica Eduardo Bolsonaro sobre processo de perda do mandato.
- Ministro proĂbe repasse de emendas para Eduardo Bolsonaro e Ramagem.
A Mesa cassou o mandato de Eduardo Bolsonaro por faltas, devido ao fato de o deputado ter deixado de comparecer Ă terça parte das sessões deliberativas da Câmara dos Deputados, conforme prevĂŞ a Constituição.Â
Em março, Eduardo Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e pediu licença do mandato parlamentar. A licença terminou em 21 de julho, mas o parlamentar não retornou ao Brasil e já acumulava um número expressivo de faltas não justificadas nas sessões plenárias.
Em setembro, Motta rejeitou a indicação do deputado para exercer a liderança da minoria na Casa, com o argumento de nĂŁo haver possibilidade do exercĂcio de mandato parlamentar estando ausente do territĂłrio nacional.
Eduardo Bolsonaro também é réu em processo no STF por promover sanções contra o Brasil para evitar o julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, pela trama golpista.
Ramagem
No caso de Ramagem, a cassação foi aplicada apĂłs o Supremo Tribunal Federal ter definido a perda de mandato no julgamento da tentativa de golpe de estado. Ele foi condenado a 16 anos de prisĂŁo.Â
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem está foragido em Miami, nos Estados Unidos. Desde setembro, Ramagem apresentava atestados médicos para justificar sua ausência na Câmara.
Após a descoberta da fuga, a Câmara informou que a Casa não foi comunicada sobre o afastamento do parlamentar do território nacional nem autorizou nenhuma missão oficial de Ramagem no exterior.
RepercussĂŁoÂ
O lĂder do PL, deputado SĂłstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que recebeu uma ligação de Hugo Motta relatando a cassação. O deputado disse ainda considerar a decisĂŁo grave.
“Trata-se de uma decisĂŁo grave, que lamentamos profundamente e que representa mais um passo no esvaziamento da soberania do Parlamento. NĂŁo se trata de um ato administrativo rotineiro. É uma decisĂŁo polĂtica que retira do plenário o direito de deliberar e transforma a Mesa em instrumento de validação automática de pressões externas. Quando mandatos sĂŁo cassados sem o voto dos deputados, o Parlamento deixa de ser Poder e passa a ser tutelado”, escreveu na rede social X.Â
Já o lĂder da federação PT, PCdoB e PV, Lindbergh Farias (PT-RJ), comemorou a decisĂŁo afirmando que a cassação extingue a “bancada dos foragidos”.Â
“Somados, os dois casos deixam um recado institucional inequĂvoco no sentido de que ou o mandato Ă© exercido nos limites da Constituição e da lei, ou ele se perde, seja pela condenação criminal definitiva, seja pela ausĂŞncia reiterada e pela renĂşncia de fato Ă s funções parlamentares”, afirmou.Â
Segundo Lindbergh, o mandato parlamentar não deve ser escudo contra a justiça e nem salvo-conduto para o abandono das funções públicas.
“A perda do mandato, em ambos os casos, constitui efeito constitucional objetivo que independe de julgamento discricionário ou polĂtico (artigo 55, parágrafo 3°, da CF). Como sempre defendemos, Ă Mesa coube apenas declarar a vacância, sob pena de usurpação da competĂŞncia do Judiciário e violação frontal Ă separação dos Poderes, pois o mandato parlamentar nĂŁo Ă© escudo contra a Justiça e nem salvo-conduto para o abandono das funções pĂşblicas”, finalizou.Â

