Um projeto de pesquisa coordenado pela Universidade Federal do Acre (Ufac) foi selecionado entre seis iniciativas aprovadas pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em um processo que avaliou mais de cem propostas. A aprovação permitirá investimento de quase R$3 milhões da Bezos Earth Fund no monitoramento de impactos socioeconômicos e ambientais de sistemas de produção agroextrativistas em reservas e assentamentos do Acre.

O projeto tem como local de pesquisa a reserva Chico Mendes/Foto: Ascom
A pesquisa será conduzida pela professora Luci Maria Teston e terá como área de estudo a Reserva Extrativista Chico Mendes e assentamentos rurais do estado. O objetivo é mensurar o custo-benefício do cooperativismo nas comunidades extrativistas e avaliar os impactos de políticas públicas voltadas à preservação da floresta na Amazônia Ocidental.
Segundo a coordenadora do projeto, os trabalhos de campo devem iniciar no primeiro semestre de 2026, após a formalização da parceria entre a Ufac e a Bezos Earth Fund, do empresário Jeff Bezos, conhecido por Blue Origin e ter sido o fundador, presidente e CEO da Amazon, uma das mais importantes empresas de comércio eletrônico dos Estados Unidos e do mundo. A iniciativa também busca estruturar a Rede de Pesquisa para uma Economia Sustentável da Amazônia (RESA), com prazo de consolidação estimado em três anos. De acordo com Luci Teston, a pesquisa pretende mensurar a remuneração dos serviços socioambientais prestados na região amazônica.
A professora é doutora em Ciências, mestre em Ciência Política e atua como pesquisadora em núcleos e laboratórios vinculados a estudos geopolíticos, relações internacionais, saúde pública e temas socioambientais. Na Ufac, coordena uma linha de pesquisa voltada à temática socioambiental, com atuação no Acre.
O estudo será desenvolvido em um contexto em que o Acre mantém mais de 80% de seu território preservado e busca alternativas de desenvolvimento baseadas na agroindústria florestal, integrando comunidades extrativistas, mercado e políticas públicas, com foco na manutenção da floresta em pé.
A Reserva Extrativista Chico Mendes concentra produção tradicional de castanha-do-brasil, óleo de copaíba, látex, murumuru, andiroba, cumaru e sistemas agroflorestais. As comunidades também discutem a introdução do consórcio de culturas como cacau e café, com o objetivo de diversificar a produção e ampliar a rede extrativista.
Na área da pesquisa, os castanhais nativos localizados nos municípios de Xapuri, Brasiléia e Assis Brasil formam o principal arranjo produtivo da sociobioeconomia acreana. A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre) reúne 31 cooperativas associadas, atendendo diretamente 2.552 famílias e, de forma indireta, mais de 5 mil famílias envolvidas na coleta da castanha e na extração da borracha.
Com informações do A Tribuna
