O “Novo Chuchu” em cena: Zema apela ao carisma e arrisca a direita

Por MetrĂłpoles 25/12/2025 Ă s 07:02

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançou recentemente uma peça de prĂ©-campanha que utiliza InteligĂȘncia Artificial para apresentĂĄ-lo de uma forma inusitada: cantando e dançando ao estilo sertanejo. A estratĂ©gia, no entanto, foi recebida com ironia pelo jornalista Guga Noblat, que apelidou o governador de “o novo chuchu” da polĂ­tica brasileira.

“Novo Chuchu”

O termo “chuchu”, na polĂ­tica historicamente associado ao vice-presidente Geraldo Alckmin por sua imagem considerada insossa Ă  Ă©poca, foi resgatado por Guga Noblat para descrever Zema.

A tentativa de popularizar Zema — fazendo-o cantar sobre “plantar mandioca” e o “frizinho de Minas” — Ă© vista como um esforço para humanizar um gestor tĂ©cnico, com fama de frieza, e atrair o eleitor comum, especialmente o do interior e os jovens que consomem conteĂșdos rĂĄpidos em plataformas como o TikTok.

PorĂ©m, o risco tomado por Zema ao brincar com as palavras – “atĂ© as pererecas vĂŁo molhar” – embora tente usar do humor para conectar com o pĂșblico, pode bater torto perante o eleitorado conservador e religioso. Para esse pĂșblico, o uso de metĂĄforas com duplo sentido pode alienar justamente as chamadas “famĂ­lias tradicionais” e a base evangĂ©lica, que podem enxergar na estratĂ©gia uma tentativa artificial — e levemente vulgar — de fabricar um carisma que nĂŁo condiz com sua trajetĂłria de gestor tĂ©cnico e sĂ©rio.

O Alvo: O Eleitor que busca o “Pai de Família” e o “Gestor”

Analistas indicam que a narrativa de Zema foca em dois perfis principais:

– O Eleitor de Centro-Direita PragmĂĄtico: Aquele que busca eficiĂȘncia administrativa (o lado “gestor”), mas que precisa de uma conexĂŁo emocional para consolidar o voto.

– O EspĂłlio Bolsonarista Moderado: Eleitores que se identificam com a pauta econĂŽmica liberal e de costumes, mas que podem preferir um perfil menos beligerante que o de Jair Bolsonaro, embora ainda precisem sentir que o candidato Ă© “gente como a gente”.

Segundo jĂĄ noticiado em canais da imprensa, Zema tem intensificado sua agenda de prĂ©-candidato Ă  PresidĂȘncia, tentando se posicionar como o nome da “direita racional”, mas a fama da falta de carisma aponta para o risco de nĂŁo conseguir inflamar as massas como seu antecessor no campo da direita.

2026: A Eleição da InteligĂȘncia Artificial

O vĂ­deo de Zema Ă© apenas a “ponta do iceberg” do que se espera para 2026. A relação entre IA e campanhas eleitorais no Brasil atingirĂĄ um patamar inĂ©dito. Especialistas apontam que a tecnologia serĂĄ usada nĂŁo apenas para dublagens e criaçÔes lĂșdicas, mas para:

Microsegmentação: Criar milhares de versÔes de um mesmo discurso, adaptando gírias e cenårios para cidades específicas.

GestĂŁo de Crise: Respostas instantĂąneas a ataques em redes sociais.

Risco de Desinformação: A Abin e o TSE jå alertaram para o desafio das deepfakes e da manipulação da percepção da realidade, onde serå cada vez mais difícil distinguir o que é o candidato real do que é um simulacro digital.

Para Zema, a IA Ă© uma ferramenta de sobrevivĂȘncia polĂ­tica para tentar fabricar o carisma que os crĂ­ticos dizem lhe faltar. Se a estratĂ©gia vai “pegar” ou se ele continuarĂĄ sendo visto como o “picolĂ© de chuchu” da nova geração, o termĂŽmetro das redes sociais nas prĂłximas semanas dirĂĄ.

 

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