O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lançou recentemente uma peça de prĂ©-campanha que utiliza InteligĂȘncia Artificial para apresentĂĄ-lo de uma forma inusitada: cantando e dançando ao estilo sertanejo. A estratĂ©gia, no entanto, foi recebida com ironia pelo jornalista Guga Noblat, que apelidou o governador de âo novo chuchuâ da polĂtica brasileira.
âNovo Chuchuâ
O termo âchuchuâ, na polĂtica historicamente associado ao vice-presidente Geraldo Alckmin por sua imagem considerada insossa Ă Ă©poca, foi resgatado por Guga Noblat para descrever Zema.
A tentativa de popularizar Zema â fazendo-o cantar sobre âplantar mandiocaâ e o âfrizinho de Minasâ â Ă© vista como um esforço para humanizar um gestor tĂ©cnico, com fama de frieza, e atrair o eleitor comum, especialmente o do interior e os jovens que consomem conteĂșdos rĂĄpidos em plataformas como o TikTok.
PorĂ©m, o risco tomado por Zema ao brincar com as palavras â âatĂ© as pererecas vĂŁo molharâ â embora tente usar do humor para conectar com o pĂșblico, pode bater torto perante o eleitorado conservador e religioso. Para esse pĂșblico, o uso de metĂĄforas com duplo sentido pode alienar justamente as chamadas âfamĂlias tradicionaisâ e a base evangĂ©lica, que podem enxergar na estratĂ©gia uma tentativa artificial â e levemente vulgar â de fabricar um carisma que nĂŁo condiz com sua trajetĂłria de gestor tĂ©cnico e sĂ©rio.
O Alvo: O Eleitor que busca o âPai de FamĂliaâ e o âGestorâ
Analistas indicam que a narrativa de Zema foca em dois perfis principais:
â O Eleitor de Centro-Direita PragmĂĄtico: Aquele que busca eficiĂȘncia administrativa (o lado âgestorâ), mas que precisa de uma conexĂŁo emocional para consolidar o voto.
â O EspĂłlio Bolsonarista Moderado: Eleitores que se identificam com a pauta econĂŽmica liberal e de costumes, mas que podem preferir um perfil menos beligerante que o de Jair Bolsonaro, embora ainda precisem sentir que o candidato Ă© âgente como a genteâ.
Segundo jĂĄ noticiado em canais da imprensa, Zema tem intensificado sua agenda de prĂ©-candidato Ă PresidĂȘncia, tentando se posicionar como o nome da âdireita racionalâ, mas a fama da falta de carisma aponta para o risco de nĂŁo conseguir inflamar as massas como seu antecessor no campo da direita.
2026: A Eleição da InteligĂȘncia Artificial
O vĂdeo de Zema Ă© apenas a âponta do icebergâ do que se espera para 2026. A relação entre IA e campanhas eleitorais no Brasil atingirĂĄ um patamar inĂ©dito. Especialistas apontam que a tecnologia serĂĄ usada nĂŁo apenas para dublagens e criaçÔes lĂșdicas, mas para:
Microsegmentação: Criar milhares de versĂ”es de um mesmo discurso, adaptando gĂrias e cenĂĄrios para cidades especĂficas.
GestĂŁo de Crise: Respostas instantĂąneas a ataques em redes sociais.
Risco de Desinformação: A Abin e o TSE jĂĄ alertaram para o desafio das deepfakes e da manipulação da percepção da realidade, onde serĂĄ cada vez mais difĂcil distinguir o que Ă© o candidato real do que Ă© um simulacro digital.
Para Zema, a IA Ă© uma ferramenta de sobrevivĂȘncia polĂtica para tentar fabricar o carisma que os crĂticos dizem lhe faltar. Se a estratĂ©gia vai âpegarâ ou se ele continuarĂĄ sendo visto como o âpicolĂ© de chuchuâ da nova geração, o termĂŽmetro das redes sociais nas prĂłximas semanas dirĂĄ.
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