O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, publicou um vĂdeo no inĂcio da manhĂŁ deste sĂĄbado (3) cercado de militares armados pedindo calma e tranquilidade ao povo do paĂs. Cabello Ă© considerado o segundo polĂtico mais influente da Venezuela, depois do presidente NicolĂĄs Maduro. Â 

âApelamos Ă calma entre o nosso povo. Confiem na liderança do alto comando polĂtico e militar, na situação que enfrentamos. Mantenham a calma, nĂŁo deixem ninguĂ©m sucumbir ao desespero, nĂŁo deixem ninguĂ©m facilitar as coisas para o inimigo invasor, o inimigo terrorista que nos atacou covardementeâ, afirmou Cabello.
NotĂcias relacionadas:
- Vice-presidente da Venezuela exige dos EUA prova de vida de Maduro .
- Lula condena ataque dos EUA Ă Venezuela e cobra resposta da ONU.
- Trump: EUA vĂŁo se envolver fortemente no setor petrolĂfero venezuelano.
O vĂdeo, gravado antes do amanhecer, foi realizado apĂłs o ataque dos Estados Unidos Ă Venezuela e do suposto sequestro do presidente Nicolas Maduro por militares estadunidenses. A vice-presidente do paĂs, Delcy Rodrigues, pediu que os EUA dessem prova da vida de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Diosdado Cabello acrescentou que os bombardeios atingiram ĂĄreas civis e que o paĂs “sabe o que fazer”.
âAqui temos um povo organizado, um povo que sabe o que tem que fazer. Esperamos que o mundo se manifeste contra este ataque, ou vocĂȘs, organizaçÔes mundiais, organismos globais, reconhecerĂŁo publicamente sua cumplicidade neste ataque invasor? Diante do assassinato de civis, das bombas caindo sobre prĂ©dios, sobre lugares habitados por civisâ, completou o ministro chavista.
Cabello classificou o ataque de âcriminosoâ e âcovardeâ e afirmou ainda que o paĂs estĂĄ em completa calma apĂłs os bombardeios dos EUA, mas admitiu que o governo Trump teve uma vitĂłria âparcialâ.
âO paĂs estĂĄ completamente calmo. O que eles tentaram fazer com as bombas e mĂsseis que lançaram, sĂł conseguiram parcialmente. E digo parcialmente porque esperavam que o povo talvez se revoltasse, agisse com covardia. Aqui nĂŁo hĂĄ covardesâ, afirmou.
Entenda
O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episĂłdio de intervençÔes diretas de Washington na AmĂ©rica Latina. A Ășltima vez que os EUA invadiram um paĂs latino-americano foi em 1989, no PanamĂĄ, quando os militares norte-americanos sequestraram o entĂŁo presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotrĂĄfico.
Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em trĂĄfico internacional de drogas questionam a existĂȘncia desse cartel.
O governo de Donald Trump estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhÔes por informaçÔes que levassem a prisão de Maduro.
Para crĂticos, a ação Ă© uma medida geopolĂtica para afastar a Venezuela de adversĂĄrios globais dos Estados Unidos, como China e RĂșssia, alĂ©m de exercer maior controle sobre o petrĂłleo do paĂs, que Ă© dono das maiores reservas de Ăłleo comprovadas do planeta.
Â

