Advogada acreana destaca papel do Acre na história mundial e relembra lutas esquecidas

Em vídeo nas redes sociais, Jamily Wenceslau relembra a Revolução Acreana, a Batalha da Borracha e o protagonismo do povo acreano na história do Brasil e do mundo

A advogada acreana Jamily Wenceslau usou as redes sociais para chamar atenção ao papel histórico do Acre na formação do Brasil e em acontecimentos decisivos do cenário mundial. No vídeo, que vem ganhando notoriedade, ela relembra fatos pouco abordados nos livros didáticos, como a Revolução Acreana, o Tratado de Petrópolis e a participação do estado na Segunda Guerra Mundial.

Jamily Wenceslau/ Foto: Instagram

Natural do Acre, Jamily iniciou sua carreira jurídica no estado e se tornou conhecida nacionalmente pela atuação na defesa de homens e pela análise de casos ligados a falsas acusações e alienação parental. Nas redes sociais, ela publica diariamente conteúdos jurídicos e comentários históricos, alcançando grande público.

Durante a gravação, a advogada destaca que o Acre não nasceu brasileiro. “Até o início do século XX, o Acre pertencia oficialmente à Bolívia, mas quem vivia lá eram brasileiros, seringueiros abandonados e explorados”, afirmou.

Segundo Jamily, esses trabalhadores viviam em território estrangeiro sem apoio do Estado brasileiro, mas resistiram à expulsão. “Eles não tinham exército, não tinham Estado, mas tinham coragem”, disse. A advogada relembra a liderança de Plácido de Castro, personagem central da Revolução Acreana, que resultou na incorporação do território ao Brasil.

Ela também critica o apagamento histórico do conflito. “O mais absurdo é que o Brasil só apareceu depois que a guerra já tinha sido travada. O Acre foi incorporado porque o povo venceu, não porque o governo quis”, afirmou, citando o Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil pagou para anexar o território.

No vídeo, Jamily destaca ainda o papel do Acre na Segunda Guerra Mundial, durante a chamada Batalha da Borracha. Com a ocupação japonesa no Sudeste Asiático, os aliados ficaram sem acesso ao principal produto usado na fabricação de pneus, aviões e armamentos.

“O Acre virou peça-chave para os Estados Unidos e os aliados. Sem borracha, não havia guerra”, declarou. Mais de 60 mil homens foram enviados à Amazônia para extrair látex e ficaram conhecidos como Soldados da Borracha.

A advogada ressaltou que esses trabalhadores não eram militares, mas civis submetidos a condições extremas. “Prometeram salário, retorno para casa e reconhecimento. Muitos morreram de malária, febre amarela, fome e abandono”, afirmou.

Segundo ela, após o fim da guerra, os soldados retornaram sem reconhecimento. “Não voltaram como heróis. Voltaram como invisíveis. Heróis sem medalha”, disse, citando ainda que seu próprio avô foi aposentado como Soldado da Borracha.

Ao final do vídeo, Jamily reforça o protagonismo do estado. “O Acre teve participação gigantesca na história mundial. O Acre representou o Brasil. E pouca gente sabe, mas o Acre chegou a declarar independência antes de virar oficialmente parte do país”, concluiu.

Veja o vídeo:

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