Durante a manifestação realizada neste domingo (4), no Lago do Amor, em Rio Branco, vozes dissonantes chamaram a atenção ao denunciar o sofrimento vivido pelo povo venezuelano. Uma mulher e um homem, ambos imigrantes da Venezuela, estiveram presentes no ato para criticar o apoio político ao regime do país vizinho e afirmar que quem defende a ditadura não compreende a realidade enfrentada pela população.

Mulher e homem criticam manifestação no Lago do Amor/ Foto: Acre no Ar
Visivelmente emocionada, a mulher afirmou que apenas quem viveu a crise pode falar sobre o tema. Segundo ela, a fome, o abandono e o exílio forçado fazem parte do cotidiano de milhões de venezuelanos.
“Somos venezuelanos. Estamos com fome. Deixamos nossas famílias em casa. Estamos sofrendo. A educação é péssima. Quem não sente essa dor não pode dizer nada”, declarou.
Ela também criticou participantes do ato que, segundo afirmou, não são venezuelanos e não conhecem a realidade do país.
“Apoiar uma ditadura é ser contra o povo venezuelano. Isso é traição”, completou.
Um homem que também é venezuelano e acompanhava a manifestação reforçou o discurso e destacou que a migração em massa não é uma escolha, mas uma consequência direta da crise econômica e da falta de liberdade.
“Ninguém quer deixar seu país. Nenhum venezuelano quer sair de casa. Estamos aqui porque nosso país vive uma crise ”, afirmou. Ele acrescentou que, enquanto alguns discutem interesses econômicos, como o petróleo, os venezuelanos lutam por liberdade.
“Nós estamos preocupados com a liberdade”, disse.
As falas ganharam repercussão entre os presentes e evidenciaram a divisão de opiniões em torno do ato político. Para os imigrantes, manifestações de apoio ao regime representam um desrespeito à dor de quem precisou abandonar o próprio país para sobreviver.
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