8 de janeiro: 3 anos depois, mais de 800 pessoas já foram condenados pelo Supremo

As ações ocorreram como forma de protesto contra a posse do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Há três anos, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro realizaram atos de invasão e vandalismo contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília. As ações ocorreram como forma de protesto contra a posse do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Há três anos, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro realizaram atos de invasão e vandalismo contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília/Foto: Reprodução

Desde então, o Supremo Tribunal Federal (STF) é responsável pela responsabilização dos envolvidos. De acordo com os dados mais recentes:

  • 810 pessoas foram condenadas;

  • 14 foram absolvidas;

  • 564 firmaram acordos de não persecução penal;

  • 346 processos seguem em análise.

Atos tiveram início ainda nas eleições

Durante a campanha eleitoral de 2022, grupos de apoiadores de Bolsonaro passaram a montar acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Eles pediam uma intervenção das Forças Armadas para manter o então presidente no poder.

O estopim em 8 de janeiro

Após a derrota nas urnas, parte desses manifestantes passou a contestar o resultado das eleições. Em 8 de janeiro de 2023, os grupos avançaram sobre a Praça dos Três Poderes, em um episódio que marcou a história recente da democracia brasileira. Imagens de pessoas vestidas de verde e amarelo depredando prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário repercutiram internacionalmente.

No início da tarde daquele domingo, os manifestantes caminharam até a praça e encontraram uma resistência policial considerada insuficiente para impedir as invasões.

No prédio do STF, vários andares foram destruídos. O plenário da Corte, localizado no térreo, foi completamente devastado, com vidros quebrados, estátuas derrubadas, poltronas arrancadas e móveis destruídos.

Já no Congresso Nacional, além de danos estruturais, obras de arte foram vandalizadas ou furtadas. A escultura Bailarina, de Victor Brecheret, foi levada da Câmara dos Deputados, e um painel de Di Cavalcanti foi esfaqueado. O painel de votação foi destruído, o Salão Verde ficou alagado após um princípio de incêndio e presentes de autoridades estrangeiras foram roubados.

Prejuízos ao governo

No Palácio do Planalto, o governo divulgou nota informando que “vândalos destruíram acervo que representa a história da República e das artes brasileiras”. Entre as obras danificadas estava As Mulatas, de Di Cavalcanti, considerada a principal peça do Salão Nobre, avaliada em cerca de R$ 8 milhões.

Durante os atos, invasores também derrubaram uma viatura da Polícia Legislativa Federal no espelho d’água do Congresso Nacional. Imagens mostraram o veículo tombado enquanto participantes registravam fotos no local.

Falhas na segurança

O então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, foi preso no dia seguinte aos ataques, acusado de omissão diante das invasões.

Em nota, o ministro afirmou que “a escalada violenta dos atos criminosos resultou na invasão dos prédios públicos, circunstância que só poderia ocorrer com a anuência ou participação das autoridades responsáveis pela segurança pública e inteligência”, destacando que a organização das manifestações era amplamente conhecida.

Em setembro de 2025, Anderson Torres foi condenado definitivamente a 24 anos de prisão em regime fechado.

O papel de Jair Bolsonaro

Durante os acontecimentos de 8 de janeiro, Jair Bolsonaro afirmou que “manifestações pacíficas fazem parte da democracia”, mas também declarou que “depredações e invasões de prédios públicos, como as ocorridas naquele dia, fogem à regra”, comparando os atos a protestos da esquerda em 2013 e 2017.

General da reserva criticou apoiadores de Bolsonaro / Foto: Reprodução

Embora não tenha participado diretamente das invasões, o STF entendeu que Bolsonaro teve responsabilidade indireta e ativa na tentativa de golpe. Entre os fatores citados estão a incitação prévia contra o sistema eleitoral, a chamada “minuta golpista” encontrada com o ex-ministro Anderson Torres e a influência de seus discursos sobre os apoiadores.

Em setembro de 2025, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

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