Um homem apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) é investigado por atuar na formação de adolescentes envolvidos em práticas conhecidas como “tribunal do crime” em áreas dominadas pela facção em Roraima. Trata-se de Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, conhecido como “Dedel”, namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa na manhã desta sexta-feira (16).
Imagens obtidas durante a investigação mostram Jardel orientando adolescentes enquanto outros menores sofrem agressões. No registro, gravado em um conjunto habitacional da zona Oeste de Boa Vista, ele aparece incentivando a violência e dando ordens aos jovens envolvidos. Em um dos momentos, chega a afirmar: “É para bater direito!”.

Homem apontado como integrante do PCC aparece orientando menores em agressões em área dominada pela facção/Foto: Reprodução
De acordo com investigadores, o local onde o vídeo foi gravado possui forte atuação do PCC. A identificação de Jardel ocorreu a partir de tatuagens e outras características físicas, confirmadas durante o cruzamento de informações feito pelas forças de segurança.
As apurações indicam que o investigado teria papel ativo dentro da facção na região Norte do país, atuando não apenas na articulação de ações criminosas, mas também na formação de novos integrantes. Informações reunidas pela Polícia Federal apontam, inclusive, que ele defendia uma postura mais violenta da organização em Roraima, com possíveis ataques direcionados a autoridades do Judiciário, do sistema prisional e das forças de segurança.
Ainda segundo os investigadores, Jardel também estaria envolvido na oferta de armas a criminosos locais, com o objetivo de financiar e fortalecer ações da facção no estado.
Em junho de 2021, ele foi preso pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) por tráfico de drogas. Na ocasião, os agentes apreenderam 25 gramas de skunk, R$ 129 em dinheiro e dois aparelhos celulares. Apesar do histórico, ele atualmente responde em liberdade.
O nome de Jardel voltou a ganhar destaque após a prisão de sua companheira, Layla Lima Ayub, delegada recém-empossada da Polícia Civil de São Paulo. Conforme apurado pelo Ministério Público de São Paulo, há indícios de que a delegada mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes de facções criminosas, inclusive atuando de forma irregular em audiências de custódia após assumir o cargo.
As investigações seguem em andamento e novas diligências devem aprofundar o papel do investigado e de outros envolvidos nas ações criminosas atribuídas à facção em Roraima.
