O avanço contínuo do Rio Acre mantém Rio Branco em estado de atenção. Neste sábado (17), o nível do manancial atingiu 14,31 metros às 12 horas e, com o rio fora do leito, autoridades tem reforçado o alerta para os riscos à saúde da população, especialmente o aumento de doenças transmitidas pela água contaminada e de acidentes em regiões inundadas.
Dados da Defesa Civil Municipal mostram que o rio apresentou elevação gradual ao longo da manhã. Às 5h17, o nível era de 14,22 metros, passando para 14,26 metros às 9h e chegando a 14,31 metros ao meio-dia. Nas últimas 24 horas, foi registrado volume de chuva de 2,40 milímetros, fator que contribui para a manutenção da cheia. A cota de alerta é de 13,50 metros, enquanto a de transbordo, já superada, é de 14 metros.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, o momento exige atenção redobrada | Foto: Secom/Prefeitura
Por conta destes números, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) intensificou as ações de orientação e prevenção, diante do aumento da exposição da população à água contaminada e a situações de risco. Segundo o secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, o momento exige atenção redobrada e busca imediata por atendimento diante de qualquer sinal de doença.
“O transbordamento do rio aumenta significativamente os riscos à saúde. Por isso, a rede municipal está mobilizada, com as unidades de atenção primária funcionando para garantir atendimento rápido e reduzir complicações”, afirmou.
A Vigilância Epidemiológica alerta que o período de enchente favorece a circulação de agentes infecciosos. De acordo com a diretora Socorro Martins, doenças como diarreias, hepatite A e leptospirose tendem a se tornar mais frequentes, além do agravamento de problemas respiratórios. O cenário também eleva o número de acidentes, como quedas, ferimentos, choques elétricos e afogamentos.
Contato com água da enchente pode causar leptospirose
Entre as doenças mais preocupantes neste período está a leptospirose, causada por bactéria presente na urina de ratos, que se espalha pela água e pela lama durante as cheias. A infecção ocorre principalmente pelo contato da pele lesionada com a água contaminada e pode evoluir para quadros graves se não for tratada rapidamente.
A enfermeira Izabelle Passos, da Unidade de Referência em Atendimento Primário (Urap) Eduardo Assmar, alerta para os principais sintomas que devem levar a pessoa a procurar atendimento médico.
“Febre, dores no corpo, vômitos, diarreia, feridas na pele ou mal-estar não devem ser ignorados. Ao perceber qualquer um desses sinais após contato com água de enchente, a pessoa deve procurar imediatamente uma unidade de saúde ou a UPA, que funciona 24 horas”, orientou.
Cuidados durante a cheia
Para reduzir os riscos, a recomendação das autoridades de saúde é evitar o contato direto com a água das enchentes e adotar medidas de proteção, como uso de botas e luvas ao circular em áreas alagadas, higiene frequente das mãos e consumo exclusivo de água potável, fervida ou tratada.
A Defesa Civil segue monitorando o comportamento do Rio Acre e reforça que novos boletins serão divulgados conforme a evolução do nível do rio, enquanto a população é orientada a seguir as recomendações oficiais e evitar áreas de risco.
