O casal de produtores rurais Marilza Camilo e José de Fátima de Oliveira está transformando a realidade produtiva do assentamento Porto Luiz I, em Acrelândia, com o cultivo de café irrigado. Morando na região de fronteira desde 2019, eles relatam que apostaram todas as economias e esperanças naquele chão para recomeçar a vida do zero como assentados do Incra.
Atualmente, a família utiliza o suporte do Crédito Instalação e outras parcerias técnicas para consolidar a produção no extremo Leste do Acre, tornando o lote uma referência de trabalho e desenvolvimento.
A evolução da colheita demonstra o impacto da tecnologia e da dedicação no campo. José Oliveira explica que, em 2024, a produção foi de 21 sacos pilados, obtidos manualmente e sem irrigação. Já em 2025, com o sistema de irrigação instalado, o resultado saltou para 27 sacos, um crescimento de 30% na produtividade.
Segundo o produtor, “ao longo desses anos, fizemos tanques, investimos na criação de peixe, galinha, porco, gado. E agora, estamos colhendo os frutos do café”. A meta é alcançar 60 sacos ou mais nos próximos anos, um objetivo que traz entusiasmo para o futuro. Atualmente, a propriedade conta com 8.500 plantas em produção e mais 2.300 novas mudas plantadas no último ano, focando na variedade “Clone 08”, um café robusta amazônico reconhecido pela alta resistência e rendimento.
Além do café, a diversificação é o que garante a sustentabilidade e a fartura na mesa do casal. No lote, eles investem na criação de peixes, porcos, galinhas e gado, além do cultivo de feijão, arroz e macaxeira. Marilza Camilo destaca com orgulho que o alimento consumido pela família é fruto direto do trabalho diário na terra, ressaltando que “hoje o almoço foi simples – do jeito que a gente gosta e do jeito que a terra oferece. Feijão, arroz, galinha criada aqui, porquinho, macaxeira e mandioquinha amarelinha. Tudo daqui”. Para ela, essa rotina oferece uma qualidade de vida que antes parecia distante.
Para Márcio Alécio, superintendente do Incra no Acre, o exemplo de Marilza e José reforça o compromisso do órgão em viabilizar crédito e apoio técnico para que a terra produza e gere dignidade.
Ele pontua que “o trabalho dos assentados mostra que, com apoio, crédito e dedicação, a terra produz, gera renda e transforma vidas”, reforçando que, quando o esforço do trabalhador se une ao suporte institucional, a reforma agrária cumpre seu papel de transformar realidades e garantir a segurança alimentar na região.


