Mortes no Hospital Anchieta: ex-funcionário confessa assassinatos

Técnico de enfermagem admitiu ter envenenado pacientes após ser confrontado com imagens internas; duas colegas são acusadas de acobertamento e também estão presas

A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o principal suspeito pelas mortes de três pacientes internados no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), confessou os crimes durante depoimento. O técnico de enfermagem, de 24 anos, inicialmente negou envolvimento, mas mudou a versão após ser confrontado com imagens do circuito interno da UTI que registraram as aplicações irregulares.

Segundo as investigações, o homem injetou doses elevadas de um medicamento — utilizado como veneno — em três pacientes. Em um dos casos, após o remédio acabar, ele teria aplicado desinfetante diretamente na veia da vítima, com múltiplas seringas, causando o óbito. A polícia também apura a emissão de receita fraudulenta, feita com a senha de um médico, para obter o medicamento sem autorização da equipe.

Além do principal suspeito, duas técnicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, estão presas por suspeita de acobertamento em dois dos três crimes. Uma delas também teria reconhecido a omissão após ver as imagens, afirmando arrependimento por não ter impedido o colega.

As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

O que a polícia já apurou

  • Confissão: o técnico admitiu os assassinatos após análise das câmeras.

  • Método: aplicações repetidas de medicamento e, em um caso, desinfetante intravenoso.

  • Tentativa de disfarce: massagens cardíacas para simular reanimação.

  • Receita falsa: uso indevido de credenciais médicas para retirar o fármaco.

  • Datas: duas aplicações em 17 de novembro e outra em 1º de dezembro.

  • Outras vítimas: investigação em andamento para apurar se há mais casos no hospital ou em unidades onde o suspeito trabalhou.

Quem são as vítimas

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada (Taguatinga);

  • João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público (Riacho Fundo I);

  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor público (Brazlândia).

De acordo com o Instituto Médico Legal, os pacientes tinham quadros clínicos distintos, e a piora súbita chamou atenção da equipe. As câmeras indicaram que as aplicações ocorreram justamente nos momentos de agravamento.

Prisões e investigações

Os três suspeitos foram presos no dia 11, com buscas em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). Uma segunda fase ocorreu em 15 de janeiro, com apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. O caso corre sob sigilo, e os nomes dos investigados não foram divulgados.

Posição das instituições

  • Hospital Anchieta: informou que identificou circunstâncias atípicas, instaurou comitê interno, encaminhou evidências à polícia, demitiu os envolvidos e colabora integralmente com as autoridades.

  • Coren-DF: acompanha o caso e afirma adotar providências no âmbito de sua competência, respeitando o devido processo legal.

  • Família de uma das vítimas: declarou choque ao saber que a morte, antes tida como natural, pode ter sido criminosa, e informou que buscará responsabilização criminal e civil.

A Polícia Civil segue apurando a extensão dos crimes e se há outros pacientes afetados.

Fonte: Polícia Civil do DF / Hospital Anchieta / Coren-DF /G1
✍️ Redigido por ContilNet

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