A Polícia Federal prendeu duas mulheres suspeitas de envolvimento em crimes de sequestro, tortura e cárcere privado contra uma cidadã boliviana no município de Guajará-Mirim, em Rondônia, cidade localizada na fronteira com a Bolívia. As prisões ocorreram na madrugada do último domingo (18), após o avanço das investigações iniciadas no começo do mês.
De acordo com a PF, as suspeitas estavam foragidas desde a deflagração de uma operação policial realizada em (14), quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Na ocasião, elas não foram localizadas e teriam fugido para a Bolívia. A captura aconteceu no momento em que retornavam ao Brasil. As ordens de prisão preventiva foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias de Porto Velho, com base nos elementos reunidos durante a investigação, que apura crimes cometidos contra a vítima na presença do filho menor.

Vítima foi atraída ao Brasil com falsa promessa de emprego e mantida em cativeiro/Foto: Reprodução
Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam que a mulher boliviana foi atraída ao Brasil sob falsas promessas, incluindo a oferta de um emprego. Após chegar a Guajará-Mirim, ela teria sido dopada e levada para um local isolado, onde foi mantida em cativeiro e submetida a agressões físicas, além de intenso sofrimento psicológico. A linha de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por vingança, pois a vítima seria suposta amante do marido de uma das médicas, hipótese que ainda está sendo apurada pelas autoridades. Vídeos que mostram parte das agressões chegaram a circular nas redes sociais e passaram a integrar o material analisado pela Polícia Federal.
Durante as diligências, os agentes identificaram um imóvel que, conforme as investigações, foi utilizado como cativeiro. No local, foram encontradas mechas de cabelo compatíveis com as da vítima, além de objetos que podem ter sido usados nas agressões. Todo o material foi recolhido e encaminhado para análise pericial. Em desdobramento do caso, a PF informou que uma das investigadas foi presa em Porto Velho, enquanto a outra se apresentou espontaneamente às autoridades. Ambas foram encaminhadas ao sistema prisional e permanecem à disposição da Justiça.

Polícia Federal encontrou cativeiro e objetos usados nas agressões, segundo investigação/Foto: Reprodução
A Polícia Federal também confirmou que há indícios da participação de outros envolvidos e que novas prisões não estão descartadas. As investigações seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos.
Caso haja condenação, as penas somadas pelos crimes investigados podem ultrapassar dez anos de reclusão.
