Tarântula “zumbi” é encontrada na Amazônia e lembra série The Last of Us

Registro raro mostra tarântula-golias dominada por fungo Cordyceps e chama atenção pela semelhança com a série The Last of Us

Certos fenômenos da natureza são tão surpreendentes que parecem sair direto da ficção científica. Foi exatamente essa a sensação provocada pelo novo registro feito por pesquisadores brasileiros e dinamarqueses durante uma expedição na floresta amazônica. O grupo encontrou uma tarântula-golias (Theraphosa blondi) infectada pelo fungo Cordyceps caloceroides, que deixou o animal com aparência de “zumbi”, lembrando cenas da série The Last of Us.

Reprodução/Elisandro Ricardo Drechsler-Santos

O vídeo do achado foi compartilhado pelo pesquisador Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que participou da expedição. As imagens mostram a aranha com coloração marrom-dourada, completamente tomada por estruturas alaranjadas do fungo.

“O Brasil tem mais de 10% da diversidade global de fungos, que é um grupo de organismos muito importante para a humanidade. Documentar essa diversidade nos nossos ecossistemas naturais é um avanço científico, socioeconômico e de soberania”, destacou o pesquisador em publicação nas redes sociais.

Achado científico raro

A descoberta foi feita pela estudante Lara Fritzsche, da Universidade de Copenhague (UCPH), durante uma expedição realizada na Reserva Ducke, área de preservação localizada nas proximidades de Manaus (AM). A coleta integrou um curso intensivo de micologia organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da UCPH.

Embora o fungo encontrado não seja o mesmo retratado na ficção de The Last of Us, ele pertence ao mesmo grupo de fungos parasitas conhecidos por infectar insetos e outros artrópodes, alterando drasticamente seu comportamento e aparência.

Como o fungo age

O Cordyceps caloceroides invade o corpo do hospedeiro por meio de esporos. Uma vez instalado, o fungo atua de forma agressiva: ele interfere no sistema nervoso e muscular do animal, passa a controlar seus movimentos e o transforma em um verdadeiro “zumbi”.

Enquanto isso, o fungo consome os nutrientes e tecidos da vítima para se desenvolver. Após a morte do hospedeiro, continua se alimentando do que resta do corpo e, por fim, libera novos esporos no ambiente, dando continuidade ao ciclo de infecção.

O registro reforça a riqueza e a complexidade da biodiversidade amazônica e destaca a importância da pesquisa científica para compreender organismos ainda pouco conhecidos, mas fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas.

Fonte: Redes sociais / UFSC
✍️ Redigido por ContilNet

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