O Brasil registrou a morte de 80 pessoas trans e travestis durante o ano de 2025. Esse dado coloca o país na liderança mundial de crimes cometidos contra esse público. As informações constam no relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a Antra. O documento serve como um alerta para a violência constante enfrentada por esse grupo social.

O Brasil registrou a morte de 80 pessoas trans e travestis durante o ano de 2025/ Foto: Reprodução
O dia 29 de janeiro marca o Dia Nacional da Visibilidade Trans, data criada em 2004 para defender os direitos de pessoas trans, travestis e não-binárias. O foco da campanha é garantir que todos tenham acesso à cidadania e ao respeito básico na sociedade. A divulgação desses números acontece em um momento importante para a conscientização.
Abrigo e apoio para vítimas de abandono
Diante da falta de segurança e de oportunidades, diversas instituições trabalham para oferecer suporte a quem precisa. Um exemplo de destaque é a CasaNem, localizada no Rio de Janeiro. O local funciona como um centro que recebe pessoas em situação de risco, oferecendo moradia, cursos de qualificação e acesso aos estudos.
O trabalho realizado nessa unidade serviu de base para a criação da Rede Brasileira de Casas de Acolhimento, a Rebraca, no ano de 2020. Atualmente, essa rede trabalha em conjunto com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O objetivo dessa parceria é criar regras públicas que protejam e ajudem no acolhimento de pessoas que não têm onde morar ou que sofrem violência.
Atuação das casas de acolhimento
De acordo com o coordenador técnico da CasaNem, Rafael Gomes, o projeto está prestes a completar uma década de funcionamento. A iniciativa ajuda principalmente jovens que foram expulsos de suas casas pela família ou que vivem nas ruas. O projeto foi idealizado pela ativista Indianarae Siqueira, que se tornou uma figura importante na defesa dos direitos humanos no país.
Atualmente, existem 22 casas espalhadas por todo o Brasil que seguem o modelo de atendimento da CasaNem. Muitas dessas unidades surgiram durante o período da pandemia, quando a necessidade de apoio aumentou. Essas casas dependem de doações de pessoas físicas e de vendas em lojas virtuais próprias para manter o pagamento de contas e a alimentação dos moradores.
Medidas legais contra o preconceito e a violência
Vale destacar que a legislação brasileira tem avançado no combate a esse tipo de violência. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os atos de preconceito contra pessoas trans, conhecidos como transfobia, são considerados crimes graves. Quem comete esse tipo de infração não tem direito ao pagamento de fiança para sair da prisão.
A medida judicial busca diminuir a impunidade e garantir que as vítimas tenham amparo na lei. Além da punição, os movimentos sociais reforçam que a educação e o acolhimento são os caminhos principais para mudar a realidade do Brasil, que ainda lidera estatísticas negativas de violência contra essa população.
