O Acre registrou 189 mortes violentas intencionais ao longo de 2025, segundo dados do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do Ministério Público do Acre (MPAC). Do total de vítimas, 74 pessoas morreram em conflitos envolvendo organizações criminosas, o que representa quase quatro em cada dez casos e coloca a atuação de facções como o principal fator por trás da violência letal no estado.
Os números mostram ainda um aumento de 5,59% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 179 mortes violentas intencionais.
A violência se manteve distribuída ao longo dos meses, com picos em maio (23 mortes) e março (21). Janeiro teve 15 registros, enquanto dezembro fechou o ano com 12 vítimas. Os dados revelam que não houve um período prolongado de queda significativa, reforçando a persistência do problema ao longo de 2025.

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Rio Branco concentra quase metade das ocorrências
A capital Rio Branco concentrou 91 mortes, o equivalente a 48,15% de todos os casos registrados no estado. Em seguida aparecem Cruzeiro do Sul, com 23 vítimas (12,17%), e municípios da faixa de fronteira, como Epitaciolândia, Assis Brasil e Brasiléia, que juntos somam dezenas de ocorrências, evidenciando a interiorização da violência e a influência das rotas do tráfico.
A maioria das vítimas tinha entre 20 e 34 anos, faixa etária que, sozinha, soma 94 mortes. O perfil predominante é de homens (168 vítimas), enquanto 21 mulheres perderam a vida, parte delas em casos classificados como feminicídio, que responderam por 7,41% das ocorrências.
Em relação à raça/cor, 153 vítimas eram pardas, além de 12 pretas, 6 brancas e 3 indígenas. Em 15 casos, a informação não foi registrada.
Armas de fogo lideram os crimes
O levantamento mostra que a arma de fogo foi utilizada em 105 homicídios, consolidando-se como o principal instrumento das mortes violentas. As armas brancas aparecem em seguida, com 53 casos, enquanto outros meios somam 31 ocorrências.
Os crimes ocorreram majoritariamente aos finais de semana, com destaque para o sábado (19,05%) e o domingo (16,40%), padrão que reforça a relação entre lazer, consumo de álcool e conflitos armados.
