O crescimento das mortes no trânsito no Brasil em 2024 acende um alerta especial no Acre, que aparece entre os estados com pior desempenho do país. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 37.150 mortes nas vias e estradas no ano passado – uma média de 102 vítimas por dia – número 6,5% maior do que em 2023. No recorte regional, o Norte apresentou aumento bem acima da média nacional, puxado principalmente pelo Acre.
Segundo o levantamento, o Acre teve um crescimento de 52,69% no número de mortes no trânsito em 2024, o maior percentual entre todas as unidades da federação. O estado divide a liderança negativa da Região Norte com o Amazonas, que registrou alta de 28,47%. Especialistas apontam que fatores como aumento acelerado da frota, precariedade da infraestrutura viária e falhas na fiscalização ajudam a explicar os números.
No cenário nacional, o aumento das mortes no trânsito é o quinto consecutivo desde 2019, o que demonstra a dificuldade do país em conter a violência viária. Em 2024, apenas dois estados conseguiram reduzir os índices: Roraima (-9,74%) e Rio de Janeiro (-34,96%).

Assim como em outras regiões do país, as motocicletas estão no centro da crise de segurança viária no Acre e no Norte | Foto: ContilNet
Motocicletas seguem como principal fator de risco
Assim como em outras regiões do país, as motocicletas estão no centro da crise de segurança viária no Acre e no Norte. Em todo o Brasil, 15.459 ocupantes de motos morreram em 2024, um crescimento de 14,71% em relação ao ano anterior. Especialistas destacam que a expansão do uso da motocicleta como principal meio de transporte, especialmente em estados com menor oferta de transporte público, eleva significativamente o risco de mortes.
De acordo com Tiago Bastos, conselheiro do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), regiões com menor desenvolvimento socioeconômico tendem a ter maior proporção de motocicletas na frota. “A isso se somam baixos níveis de fiscalização do uso do capacete, condução sem habilitação e infraestrutura viária deficiente”, explicou ao Estadão.

