Livro trata de escravidĂŁo nos EUA com ponto de vista dos escravizados

Por AgĂȘncia Brasil 08/02/2026 Ă s 20:52


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O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, editora Dialética.Livro trata de escravidão nos EUA com ponto de vista dos escravizadosLivro trata de escravidão nos EUA com ponto de vista dos escravizados

Fruto do mestrado em histĂłria na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO), a publicação faz o caminho inverso das investigaçÔes mais comuns nas ciĂȘncias sociais: em vez de um brasilianista norte-americano estar pesquisando sobre o Brasil, Ă© um estudioso brasileiro que observa os Estados Unidos.
 


Rio de Janeiro (RJ), 06/02/2026 – O jornalista da EBC Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora DialĂ©tica. Foto: Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

Rafael de Carvalho Cardoso lança o livro Autobiografias de Escravizados – Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora DialĂ©tica – Fernando FrazĂŁo/AgĂȘncia Brasil

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“A gente nĂŁo pode limitar o nosso olhar sĂł para o que Ă© mais prĂłximo”, recomenda Cardoso ao explicar o interesse pela escravidĂŁo em outro paĂ­s.

Entre as diferenças que marcam a histĂłria do Brasil e dos Estados Unidos, o mestre em histĂłria e repĂłrter da AgĂȘncia Brasil observa a disponibilidade de material de pesquisa: centenas de relatos escritos de pessoas que fugiram do sul escravista dos EUA para o norte abolicionista do paĂ­s.

“Nós não tivemos no Brasil esse tipo de texto, de narrativa em primeira pessoa”, observa.

Sem relatos escritos por escravizados, grande maioria analfabeta no Brasil, os historiadores brasileiros recompuseram a história sobre essas pessoas com documentos de cartório, certidÔes de batismo e fontes gerenciais dos lugares onde eram explorados.

A Ășnica exceção no Brasil, lembra Rafael Cardoso, Ă© a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um homem nascido no atual Benim (1824), que foi levado para o trabalho escravo em Olinda (Pernambuco) e depois revendido para um proprietĂĄrio no Rio de Janeiro, de onde partiu em navio que levava cafĂ© para Nova York, onde foi posto em liberdade.

Douglass e Grimes

Cardoso escolheu como personagens da pesquisa dois homens “da segunda ou terceira geração de escravizados nos Estados Unidos”: o líder abolicionista Frederick Douglass (1818-1985), e o barbeiro William Grimes (1784-1865). Ambos publicaram duas autobiografias. Grimes em 1825 e 1855; e Douglass em 1845 e 1855.

No intervalo de 30 anos que existe entre as autobiografias, Rafael Cardoso observa mudanças sociais nos Estados Unidos escravista a partir do que descreveram os dois autores.

Nas experiĂȘncias individuais, o historiador enxerga como eram os lugares onde viveram, laços familiares, relaçÔes sociais, e contexto polĂ­tico – “como tudo isso Ă© capaz de influenciar na vida do sujeito e na forma como ele quer se colocar assim no mundo.”

Para o historiador de cariz marxista-gramsciano, “influĂȘncias estruturais, econĂŽmicas e sociais condicionam nossas escolhas, limitam as nossas escolhas e possibilidades de vida.”

Vivendo do ofĂ­cio de apurar e reportar pautas sociais e sobre o meio ambiente para a AgĂȘncia Brasil, Rafael Cardoso diz acreditar que estudar histĂłria calibra “a visĂŁo crĂ­tica e analĂ­tica” da realidade – recursos habituais para o seu trabalho como repĂłrter.

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