Futebol volta a campo de Gaza, em meio a perdas e ruĂ­nas da guerra

Por AgĂȘncia Brasil 10/02/2026 Ă s 12:10


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Em um campo de futebol desgastado, em um terreno baldio repleto de prédios em ruínas e escombros, o Jabalia Youth enfrentou o Al-Sadaqa no primeiro torneio de futebol organizado na Faixa de Gaza em mais de dois anos.Futebol volta a campo de Gaza, em meio a perdas e ruínas da guerraFutebol volta a campo de Gaza, em meio a perdas e ruínas da guerra

A partida terminou em empate, assim como o segundo jogo entre o Beit Hanoun e o Al-Shujaiya. Mas os espectadores nĂŁo ficaram desapontados, torcendo e sacudindo a cerca de arame ao lado do Palestine Pitch, nas ruĂ­nas do bairro de Tal al-Hawa, na Cidade de Gaza.

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Meninos subiram em um muro de concreto quebrado ou espiavam pelos buracos nas ruínas para ver o jogo. Alguém batia em um tambor.

Youssef Jendiya, 21, um dos jogadores do Jabalia Youth, de uma parte de Gaza amplamente despovoada e destruída pelas forças israelenses, descreveu seu sentimento ao estar de volta ao campo: “Confuso. Feliz, triste, alegre, feliz”.

“As pessoas procuram ĂĄgua pela manhĂŁ: comida, pĂŁo. A vida Ă© um pouco difĂ­cil. Mas ainda resta um pouco do dia, quando vocĂȘ pode vir jogar futebol e expressar um pouco da alegria que tem dentro de vocĂȘ”, disse ele.

“VocĂȘ vem ao estĂĄdio sentindo falta de muitos dos seus companheiros de equipe… mortos, feridos ou aqueles que viajaram para receber tratamento. EntĂŁo, a alegria Ă© incompleta.”

Quatro meses desde que um cessar-fogo encerrou os principais combates em Gaza, quase não houve reconstrução. As forças israelenses ordenaram que todos os residentes saíssem de quase dois terços de Gaza, amontoando mais de 2 milhÔes de pessoas em uma faixa de ruínas ao longo da costa, a maioria em barracas improvisadas ou prédios danificados.

O antigo local do Estådio Yarmouk, com 9.000 lugares, na Cidade de Gaza, que as forças israelenses destruíram durante a guerra e usaram como centro de detenção, agora abriga famílias deslocadas em barracas brancas, amontoadas na terra marrom do que antes era o campo.

Para o torneio desta semana, a Associação de Futebol conseguiu limpar os escombros de um muro desabado em um campo de tamanho reduzido, colocar uma cerca e varrer os detritos da antiga grama artificial.

Ao entrar em campo, as equipes estavam “passando uma mensagem”, disse Amjad Abu Awda, 31, jogador do Beit Hanoun. “Que não importa o que tenha acontecido em termos de destruição e guerra genocida, continuamos jogando e vivendo. A vida precisa continuar.”

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