Documentos dos EUA revelam que Jeffrey Epstein possuía CPF brasileiro ativo

Arquivos do Departamento de Justiça apontam registro regular na Receita Federal e mencionam interesse do financista em possíveis vínculos com o Brasil

Documentos dos EUA revelam que Jeffrey Epstein possuía CPF brasileiro ativo
Documentos dos EUA revelam que Jeffrey Epstein possuía CPF brasileiro ativo/Foto: Reprodução

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que o financista Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual e exploração de menores, possuía um CPF brasileiro emitido em 2003 e que permanece em situação regular junto à Receita Federal. A informação consta em arquivos tornados públicos recentemente e revela uma ligação documental envolvendo o Brasil.

O cadastro está associado à data de nascimento de Epstein, 20 de janeiro de 1953. Mesmo após sua morte, em 2019, enquanto aguardava julgamento em Nova York, o CPF continua ativo no sistema da Receita. Pela legislação brasileira, estrangeiros podem obter CPF mesmo sem residir no país, desde que apresentem a documentação exigida ou sejam representados por procuradores legais.

O cadastro está associado à data de nascimento de Epstein, 20 de janeiro de 1953

O cadastro está associado à data de nascimento de Epstein, 20 de janeiro de 1953/Foto: Reprodução

Especialistas explicam que a situação cadastral não é automaticamente alterada após o falecimento do titular. A baixa do CPF depende de solicitação formal feita por representantes legais ou herdeiros, especialmente quando há eventual existência de bens ou interesses vinculados ao país.

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Os arquivos também incluem trocas de e-mails entre Epstein e pessoas de seu círculo nas quais o Brasil é mencionado em conversas sobre possíveis interesses. Em uma das mensagens, datada de 2011, uma investidora alemã cita a possibilidade de obtenção de cidadania brasileira, considerada interessante por Epstein na ocasião, embora ele tenha mencionado eventuais dificuldades relacionadas a vistos.

De acordo com análises publicadas pela imprensa internacional, o CPF pode ter sido solicitado para viabilizar operações financeiras, abertura de contas bancárias ou eventuais investimentos, já que o documento é exigido em diversas transações no Brasil. Não há, contudo, indicação nos documentos de que Epstein tenha se naturalizado brasileiro ou mantido atividades formais no país.

A divulgação faz parte de um conjunto amplo de arquivos relacionados ao caso, liberados pelo governo norte americano. O material reúne milhões de páginas e vem revelando novos detalhes sobre as conexões internacionais e a rede de contatos do financista.

Até o momento, não há evidências públicas de que Jeffrey Epstein tenha realizado negócios concretos no Brasil ou mantido vínculos institucionais com autoridades ou empresas brasileiras. A Receita Federal informou que não há registro de naturalização e que a existência de CPF ativo, por si só, não comprova qualquer atividade ilícita em território nacional.

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