Dá para cair na folia sem deixar rastros de plástico pelo caminho? Em Rio Branco, o Comitê Chico Mendes aposta que sim e quer provar isso no ritmo do frevo. Com a campanha “Bloquinho do Chico”, o movimento socioambiental convida os foliões a curtirem o Carnaval com brilho nos olhos e responsabilidade nas atitudes, mostrando que celebrar também pode ser um gesto de proteção à floresta.
A iniciativa parte de uma provocação simples: se o Carnaval é uma das maiores expressões culturais do país, por que não transformá-lo também em um espaço de prática sustentável? A proposta inclui reaproveitamento de fantasias, uso criativo de materiais recicláveis, redução de descartáveis e atenção especial ao glitter tradicional, que contém microplásticos e pode causar impactos ambientais.
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Segundo Hannah Lydia, coordenadora de comunicação do Comitê, a ideia é romper com a visão de que o ativismo ambiental acontece apenas em espaços formais. “O baile também é revolução. A gente acredita muito que o frevo também é luta. Estar nas ruas celebrando é uma forma de resistência”, afirma.
A campanha reforça que defender a floresta passa também por defender formas de viver com dignidade — e isso inclui o direito à alegria. Inspirado na cultura popular e em referências como o pensador Nego Bispo, o movimento ecoa a ideia de que “vadiar também é um jeito de lutar”, conectando tradição, memória e consciência ambiental.
Além do discurso, o “Bloquinho do Chico” oferece ações práticas. Nas redes sociais do Comitê, estão disponíveis moldes de máscaras do Chico Mendes e dos encantados da floresta para download. A orientação é criar o próprio look carnavalesco com materiais reaproveitados, postar nas redes marcando o Comitê e usar as hashtags #CulturaDeFloresta e #BloquinhoDoChico.
