O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, soma atualmente 25 pedidos de impeachment registrados no sistema do Senado Federal. O levantamento não considera a nova representação anunciada nesta quinta-feira (12) pelo Partido Novo, que ainda não foi oficialmente protocolada.
A pressão sobre o magistrado ganhou força após se tornarem públicas informações sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, instituição investigada pela Polícia Federal por suspeita de fraudes financeiras que podem alcançar R$ 12 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
Relatoria deixada após reunião no STF
Na quarta-feira, Toffoli decidiu deixar a relatoria do processo relacionado ao banco. A medida ocorreu depois que a Polícia Federal identificou menções ao nome do ministro no celular de Vorcaro. A decisão foi tomada após reunião com outros ministros da Corte.
Com a mudança, o ministro André Mendonça assumirá a condução da ação.
Em nota, o STF afirmou que não há cabimento para arguição de suspeição contra Toffoli, mas confirmou que o próprio ministro optou por se afastar da relatoria.
Pedidos citam Banco Master e outros casos
Dos 25 pedidos de impeachment, três mencionam diretamente o Banco Master. As representações foram protocoladas em 26 de janeiro, 3 de fevereiro e 6 de fevereiro de 2026 e aguardam despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável por decidir se dá andamento às denúncias.
Em 2025, há quatro pedidos ainda pendentes de análise inicial. Dois deles foram apresentados em 12 de agosto e fazem referência à decisão de Toffoli que, em dezembro de 2023, suspendeu o pagamento de multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à J&F, do grupo JBS, em acordo de leniência da Lava Jato.
Um dos pedidos protocolados em 2019 tem como autora a vereadora Janaina Paschoal, que também assinou a petição de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Entre 2015 e 2019, 16 representações foram indeferidas ainda na fase inicial. Já dois pedidos apresentados em 2021 chegaram a tramitar na Advocacia-Geral do Senado.
Como funciona o impeachment de ministro do STF
O impeachment de ministros do Supremo está previsto em lei desde 1950, mas nunca foi aplicado. O rito é semelhante ao adotado para o presidente da República, com uma diferença central: cabe ao presidente do Senado aceitar ou não a denúncia contra integrante da Corte.
Qualquer cidadão pode apresentar pedido de impeachment. Em dezembro, o ministro Gilmar Mendes chegou a restringir essa possibilidade à Procuradoria-Geral da República, mas recuou após críticas.
Relação com empresa investigada
Toffoli é sócio da Maridt Participações, empresa administrada por seus irmãos e que realizou negociações com fundo gerido pela Reag, ligada ao Banco Master.
A Polícia Federal apreendeu celulares, computadores e documentos que agora integram os inquéritos sobre corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitações.
