Na capital paulista, o circuito de blocos da RepĂșblica teve uma tarde de desfiles tranquilos, embalada por ritmos nordestinos como o AxĂ© e o ForrĂł. 

Os blocos Domingo Ela Não Vai e Explode Coração foram os grandes puxadores do circuito que, embora cheio, tinha boa mobilidade e facilidade de acesso para os foliÔes.
NotĂcias relacionadas:
- Tarde de blocos no Bixiga valoriza mĂșsicas brasileiras em SĂŁo Paulo.
- Blocos com Michel TelĂł e Pocah esquentam o Ibirapuera neste domingo.
âTĂĄ gostoso, para brincar com famĂlia e amigos. Alegre, tranquilo e com mais espaço do que em outros circuitosâ, disse Luma GregĂłria, estudante de jornalismo. No Carnaval desde a infĂąncia, quando era da ala mirim da Tom Maior, Luma estava com parentes e amigos.
Saindo do Domingo Ela NĂŁo Vai, o grupo ainda tinha planos de seguir com o Explode Coração e brincar a folia com AxĂ© â ritmo que, para Luma, Ă© a cara do Carnaval.
A estudante contou que, na segunda, pretende ir com amigos para as marchinhas da Charanga do França e, na terça, embora ainda não saiba aonde, tem certeza de que vai procurar outros bloquinhos de rua.
Outra certeza de Luma Ă© de evitar os megablocos, pois no prĂ©-carnaval nĂŁo teve uma experiĂȘncia boa na Consolação: âtinha muita gente e uma parte ficou prensada lĂĄ. SaĂmos para o lado do cemitĂ©rio, onde dava para acompanhar melhor, mas quem ficou do outro lado teve dificuldadesâ, lembrou.
O circuito acompanhou as bandas dos trios elĂ©tricos, como a do Bloco Afro TĂŽ na Rua, com duas baterias, um percussionista no atabaque, guitarra, baixo e teclado, todos acompanhando o axĂ© nas vozes de Lia, Paula e Marcos, enfrentando com muita energia o sol das 14h, na rua SĂŁo Luiz com a Consolação. Neste local, o ritmo diminuĂa e as pessoas dançavam, circulando entre os blocos e começando a dispersĂŁo, aproveitando bares e restaurantes, normalmente fechados aos domingos.
PrĂłximo Ă Biblioteca MĂĄrio de Andrade, a reportagem da AgĂȘncia Brasil conversou com as irmĂŁs Estela e Josy Madeira. A bibliotecĂĄria Estela, que jĂĄ trabalhou na MĂĄrio de Andrade, contou que estava no terceiro bloco do final de semana, e que naĂ” seria o Ășltimo.
âEstĂĄ um pouco mais vazio, sabe. Deve ser por conta dos megablocos, que estĂŁo esvaziando um pouco os mais tradicionais, aqui do Centro. Claro que ainda estĂŁo bem maiores, hoje, do que quando o carnaval era na Tiradentesâ, conta Estela.
As irmãs acompanham a festa desde antes dos desfiles de blocos se tornarem mais populares na cidade, hå cerca de uma década. Certamente bem antes dos desfiles para dezenas de milhares, como alguns dos blocos da Consolação e do circuito do Ibirapuera.
âTem uns muito legais. Ontem fomos no Bollywood, com indianos, e no Perdi Tudo na Augusta. AmanhĂŁ ainda nĂŁo decidimos, mas acho que vamos para o Bixiga. Pena que perdemos o Esfarrapadoâ, disse Josy.
Se forem ao Bixiga na segunda, terĂŁo uma boa surpresa pois o bloco, que desfila desde 1947, festeja a partir das 10h, com os sambas da Vai-Vai.Â
Quem voltou para a RepĂșblica no meio da tarde, por volta das 15h, alĂ©m do mar de vendedores, em alguns pontos atĂ© desanimados pela aglomeração de guarda-sĂłis amarelos e movimento fraco, ainda encontrou o pequeno e animado pĂșblico do Bloco SP ForrĂł, que começava seu desfile.
Vestidos de LampiĂŁo e Maria Bonita, Juarez e Ana puxavam o bloco, organizado pelo amigo e produtor cultural ZĂ© da Lua, com quem se apresentam durante o ano com a indumentĂĄria no Trio da Lua.
âA gente brinca sempre que pode, se apresenta o ano todo. Adoroâ, conta Ana Freire, que Ă© paraibana radicada em SĂŁo Paulo, onde alĂ©m das apresentaçÔes ensina mĂșsica, principalmente violĂŁo.
O parceiro e LampiĂŁo Ă© o arte educador e escultor Juarez Martins dos Anjos, baiano que estĂĄ desde 1973 em SĂŁo Paulo, morador de SĂŁo Miguel, na zona leste. O bloco jĂĄ tem seis anos de apresentaçÔes no carnaval, e seguia animado pelo meio da tarde.Â
Â

