Novos detalhes sobre intoxicação em piscina de academia que terminou em morte

Relato de sobrevivente aponta falhas no controle de produtos químicos em piscina

Reportagem do Fantástico detalha intoxicação em piscina que matou aluna e aponta falhas no controle de produtos químicos.
Reportagem do Fantástico detalha intoxicação em piscina que matou aluna/ Foto: Reprodução

O programa Fantástico revelou novos detalhes sobre o caso de intoxicação ocorrido durante uma aula de natação em uma academia na zona leste de São Paulo, que resultou na morte de uma aluna. A reportagem exibiu imagens gravadas na UTI com o relato de um dos sobreviventes.

Vinícius de Oliveira contou como ele e a esposa, Juliana Faustino Bassetto, começaram a passar mal enquanto nadavam. “A gente estava nadando já fazia uns 15 minutos. E aí acho que foi o momento em que a mistura foi feita. Eu lembro que eu estava na raia da direita e já encostei na parede sufocando, sentindo o peito ardendo”, disse.

Segundo ele, a reação foi imediata. “Minha reação foi sair da piscina e pedir socorro. Só que aí eu olhei pra trás e a Ju estava tendo a mesma reação que eu. Aí eu voltei para ajudar ela. Aí a gente conseguiu subir ela e a gente evacuou ela da piscina.”

O caso ocorreu na academia C4 Gym. Após deixarem a piscina, o casal procurou atendimento médico. Juliana, de 27 anos, sofreu parada cardíaca e morreu. Vinícius, de 31 anos, permaneceu internado em estado grave.

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A investigação aponta possíveis falhas no controle dos produtos químicos usados na manutenção da piscina. O responsável por manusear as substâncias era o manobrista Severino José da Silva, que seguia orientações repassadas à distância pelo proprietário da academia, Celso Bertolo Cruz.

“Todos os dias pela manhã, ele fazia a medição da água e enviava uma foto do medidor por aplicativo de mensagem para o proprietário, para o Celso. A partir disso, o proprietário, Celso, encaminhava quais eram os produtos e quais as quantidades ele deveria utilizar”, afirmou a advogada de Severino, Bárbara Bonvicini.

Estudos do Instituto de Química da USP indicam que a combinação inadequada de substâncias como hipoclorito de cálcio e agentes ácidos pode liberar gás cloro. Em ambientes fechados ou em grande volume, a concentração pode se tornar tóxica.

Especialistas alertam que o gás pode causar irritação nos olhos e vias respiratórias, além de dificuldade para respirar e quadros graves de intoxicação.

O caso é investigado pela Polícia Civil. A ocorrência foi registrada no 6º Distrito Policial de Santo André. Além do casal, pelo menos outras seis pessoas precisaram de atendimento médico após a exposição à água da piscina.

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