Professora desabafa sobre sobrecarga e desvalorização: “Chamados de maconheiros e doutrinadores”

A professora declarou que docentes universitários não recebem remuneração compatível com a carga de trabalho e criticou a percepção de que professores federais são bem pagos

Professora é docente do curso de Psicologia da Ufac/Foto: Reprodução

Uma professora da Universidade Federal do Acre (Ufac) publicou um vídeo nas redes sociais em que faz duras críticas às condições de trabalho e à valorização da carreira docente no ensino superior público. Na gravação, a psicóloga e docente Salete Peixoto afirma estar “revoltada” com o que classificou como falta de reconhecimento profissional, tanto social quanto financeiro.

No vídeo, ela relata ter passado cerca de dez horas seguidas em atividades administrativas dentro da universidade, tarefa que, segundo disse, faz parte das obrigações dos professores, além das aulas, pesquisas e projetos de extensão.

A docente detalha que, além do ensino, professores acumulam funções como participação em bancas, comissões, produção científica e processos internos. “Nós temos uma agenda repleta de atividades e não podemos nos negar a desenvolvê-las”, afirmou.

Progressão e burocracia

Um dos principais pontos do desabafo foi a burocracia para progressão na carreira. A professora criticou o fato de precisar reunir e comprovar manualmente toda a trajetória funcional para solicitar avanço profissional.

Segundo ela, mesmo com processos informatizados, docentes ainda precisam apresentar documentos e registros individualmente. “É inadmissível que o professor tenha que levantar toda a sua vida funcional item por item, como se nós mentíssemos”, disse.

Ela também afirmou ter progressões atrasadas e relatou frustração com mudanças nas regras de pagamento retroativo. No relato, afirmou que esperava receber valores referentes a anos anteriores, mas que a compensação teria sido reduzida.

Salários e reconhecimento

Outro ponto levantado foi a defasagem salarial. A professora declarou que docentes universitários não recebem remuneração compatível com a carga de trabalho e criticou a percepção de que professores federais são bem pagos.

No vídeo, ela também comparou a situação da categoria com reajustes concedidos a outros poderes e cargos públicos, afirmando que professores enfrentam cortes e demora em negociações.

Durante o desabafo, a docente também criticou o que chamou de desvalorização social da profissão, citando estigmas atribuídos a professores universitários.

Ela ainda mencionou casos de aposentadorias de colegas sem homenagens institucionais, o que, segundo disse, contribui para a sensação de falta de reconhecimento.

A professora também falou sobre as críticas feitas por algumas pessoas sobre as universidades federais. “Professor de Universidade Federal é chamado de maconheiro. Professor de Universidade Federal é chamado de doutrinador. Não fumo, não bebo e não doutrino ninguém. Não sou padre, não sou freira. A doutrina começou com a catequização aqui no Brasil”, desabafou.

O vídeo repercutiu nas redes sociais e gerou manifestações de apoio e debate sobre as condições de trabalho no ensino superior público. Até o momento, a universidade não havia se pronunciado oficialmente sobre as declarações.

Assista ao desabafo completo:

https://vt.tiktok.com/ZSmBG941X/

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