O Bafo da Onça comemorou 70 anos com um desfile especial nesta segunda-feira de Carnaval (16), marcando um novo capĂtulo na histĂłria do bloco. Em 2026, a agremiação ocupou pela primeira vez as ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e estreou uma bateria com mais de 100 ritmistas. 

Outra novidade foi a parceria com o Cacique de Ramos, grupo que jĂĄ foi rival, mas hoje Ă© um aliado.
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Fundado em 1956, em um botequim do Catumbi, por SebastiĂŁo Maria, conhecido como TiĂŁo Maria, o Bafo da Onça Ă© o segundo bloco em atividade mais antigo do Rio de Janeiro, atrĂĄs apenas do CordĂŁo da Bola Preta. Ao longo de sete dĂ©cadas, tornou-se sĂmbolo do carnaval de rua e da cultura popular carioca. HĂĄ mais de 50 anos, o bloco Ă© liderado por Roberto Saldanha, o CapilĂ©.
A mudança para Santa Teresa é vista pelos integrantes como um retorno às origens.
âĂ o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. Ă uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boaâ, afirma Rafa Manso, integrante do bloco.
âA oncinha mostra o quanto a gente Ă© uma fera. Ă uma personagem central do blocoâ, explica.
Para o presidente do bloco, Roberto Saldanha, desfilar em Santa Teresa tem um significado especial.
âIsso aqui para mim Ă© um sonho. Eu tĂŽ no meu quintal. Eu tĂŽ em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. NĂŁo tem nada de confusĂŁo, problema, aqui a gente sĂł quer brincarâ, declara.
Entre os destaques do cortejo estĂĄ Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescĂȘncia.
âComecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o blocoâ, explica Chelen.
âMinha mĂŁe sempre gostou e o presidente me fez esse convite. Desde entĂŁo, venho participando ativamente. O Bafo sempre foi um bloco famĂlia para mimâ, complementa.
O desfile relembra a reconstrução depois que um incĂȘndio atingiu a sede histĂłrica do Bafo da Onça em 2020, destruindo instrumentos, fantasias e parte do acervo. Como parte desse processo, o bloco estreou uma nova bateria, equipada com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar.
Outro destaque do desfile foi a parceria com o Cacique de Ramos. A aproximação começou em 2025, quando a tradicional roda de samba do Cacique se apresentou pela primeira vez na quadra do Bafo, durante o evento Mergulho da Onça.
âNa realidade, nĂłs nunca fomos rivais. NĂłs somos irmĂŁos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval Ă© festaâ, reforça Saldanha.
Entre os foliÔes, a novidade também é celebrada. Luana Brito, de 31 anos, saiu de Bangu, na Zona Oeste, para acompanhar o desfile.
âEu jĂĄ tinha planejado vir. No sĂĄbado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que Ă© um bloco muito bom. Essa parceria Ă© perfeita. A expectativa Ă© que seja perfeitoâ, diz Luana.
Para os integrantes, a uniĂŁo entre blocos tradicionais fortalece o carnaval de rua.
âVai atrair mais pĂșblico. Ă bom que outros blocos tambĂ©m se unifiquem para valorizar os blocos tradicionaisâ, avalia Rafa.
O desfile de 70 anos mantĂ©m o Bafo da Onça no circuito oficial e reafirma a vocação do bloco de ocupar o espaço pĂșblico como territĂłrio de encontro, memĂłria e festa.

