Therian: especialista explica por que ‘há sofrimento’ por trás do fenômeno viral

Psiquiatra infantojuvenil Francisco Guerrini alerta para a busca de identidade na adolescência e o impacto do uso excessivo de redes sociais no comportamento juvenil

Movimento Therian cresceu mundialmente — Foto: Instagram/@foxcor_

O fenômeno Therian, que se espalhou rapidamente pelo TikTok e outras plataformas digitais, deixou de ser apenas uma tendência estética para se tornar um ponto de atenção para profissionais da saúde. Embora a prática de se identificar com animais e usar acessórios como máscaras e caudas possa parecer uma brincadeira inofensiva, especialistas alertam que o comportamento pode esconder lacunas emocionais profundas.

Para o psicanalista e psiquiatra infantojuvenil Francisco Guerrini, a expansão dessa comunidade reflete uma necessidade geracional de diferenciação e pertencimento, mas exige um olhar atento para o que acontece “por trás da máscara”.

Grupo de terianos se encontra em parques para interagir uns com os outros, pulando, brincando e até latindo — Foto: Reprodução/ Instagram/ @foxcor_

Grupo de terianos se encontra em parques para interagir uns com os outros, pulando, brincando e até latindo — Foto: Reprodução/ Instagram/ @foxcor_

A busca por identidade na era digital

De acordo com Guerrini, o surgimento dos Therians pode ser comparado às tribos urbanas de décadas passadas, mas com o agravante do isolamento digital.

  • Diferenciação: O jovem busca se distanciar da geração anterior através de identidades chamativas e subjetivas.

  • Falta de Referência: O especialista aponta que, muitas vezes, a figura central familiar não ocupa o lugar ideal de identificação, levando o adolescente a buscar referências em algoritmos e personagens de rede social.

  • Sofrimento Subjacente: “A primeira coisa que se deve pensar é se há sofrimento”, pondera o psiquiatra, destacando que a estética animal pode ser um refúgio para quem não se sente acolhido no social.

Quando o comportamento se torna um sinal de alerta

Embora exista uma dimensão lúdica na prática Therian, Guerrini estabelece limites claros entre a criatividade e a patologia.

  • Agressividade: O sinal de alerta máximo ocorre quando o jovem ultrapassa a fantasia e começa a morder ou atacar outras pessoas. “Nesse caso, já se trata de uma problemática próxima de um episódio psicótico”, adverte.

  • Perda do Pensamento Crítico: O uso excessivo de telas impacta o córtex frontal, reduzindo a capacidade de concentração e o discernimento entre a animalidade e a cultura.

  • Contexto Familiar: O psiquiatra reforça que o problema central muitas vezes reside no fato de as famílias estarem “rolando a tela” o dia inteiro, negligenciando a interação real e o suporte emocional necessário.

Aspecto do Fenômeno Visão Lúdica Visão Patológica
Identificação Expressão artística e teatral Crença absoluta em ser um animal
Socialização Encontro com amigos da comunidade Isolamento e agressividade física
Uso de Redes Compartilhamento de hobbies Vício e perda de pensamento crítico

O debate sobre os Therians em 2026 reforça a importância de um diálogo aberto entre pais e filhos. Olhar além do figurino é essencial para garantir que a construção da identidade não seja apenas uma fuga de uma realidade dolorosa, mas um processo saudável de crescimento.

Fonte: O Globo

Redigido por: ContilNet

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