O Agente Secreto é superado por Valor Sentimental e Brasil volta sem prêmios no Bafta

Além de O Agente Secreto, nomeado em duas categorias, Brasil também concorria a Melhor Documentário e Fotografia

O Agente Secreto é superado por Valor Sentimental e Brasil volta sem prêmios no Bafta
O Agente Secreto é superado por Valor Sentimental e Brasil volta sem prêmios no Bafta/Foto: Reprodução

O longa brasileiro O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, não saiu vencedor nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original no Prêmio da Academia Britânica de Cinema, o Bafta. O resultado foi anunciado neste domingo (22/2), em cerimônia realizada em Londres. Apelidado de Oscar Britânico, o Bafta é uma das principais premiações do cinema internacional.

Além de O Agente Secreto, o Brasil também havia sido indicado ao Bafta nas seguintes categorias:

  • Melhor roteiro original, com O Agente Secreto; (Vencedor: Pecadores)
  • Melhor filme de língua não-inglesa, com O agente secreto; (Vencedor: Valor Sentimental, Noruega)
  • Melhor documentário, com Apocalipse nos trópicos; (Vencedor: Mr. Nobody against Putin)
  • Melhor fotografia, com Adolpho Veloso em Sonhos de trem. (Vencedor: Uma batalha após a outra)

O Bafta é um termômetro para o Oscar?

Apesar da relevância, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o Bafta está longe de ser um termômetro do Oscar — e décadas de histórico sustentam essa avaliação, inclusive em anos em que brasileiros estiveram na disputa.

Para começar, a corrida americana é mais ampla: além de Melhor Filme Internacional, O Agente Secreto aparece nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura. Costa não está na disputa, mas Veloso concorre.

Filmes brasileiros já ganharam um e perderam o outro — e vice–versa

Ser indicado, premiado ou esnobado pelo Bafta diz pouco sobre as chances de um filme no Oscar, já que o corpo de votantes de cada premiação é diferente.

Na temporada passada, Ainda Estou Aqui — drama de Walter Salles protagonizado por Fernanda Torres — deu ao Brasil seu primeiro Oscar, mas não teve o mesmo desempenho no Bafta.

A premiação britânica chegou a indicar o longa — sobre o deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura militar —, mas deu o troféu de Melhor Filme em Língua Estrangeira a Emilia Pérez.

O inverso também já aconteceu. Em 1999, Central do Brasil, outro título de Salles, este com Fernanda Montenegro, venceu o Bafta na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas não teve o mesmo destino no Oscar, concorrendo na mesma categoria.

Em 2003, algo semelhante ocorreu com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund: o filme ganhou o Bafta de Melhor Edição, pelo trabalho de Daniel Rezende, mas saiu sem estatuetas da cerimônia americana.

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