Justiça declara ilegal greve dos médicos no Acre e aponta ‘abuso do direito’ por descumprimento de prazo

Tribunal afirma que paralisação na saúde não respeitou antecedência mínima de 72 horas nem garantiu serviços inadiáveis

OA paralisação, anunciada por tempo indeterminado a partir de 8 de maio de 2025, foi motivada por reivindicações salariais e questionamentos sobre condições de trabalho. Ao julgar ação proposta pelo Estado do Acre/Foto: Cedida

O Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC) declarou ilegal a greve deflagrada pelo Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed/AC) em maio de 2025. Por unanimidade, o Tribunal Pleno Jurisdicional entendeu que o movimento descumpriu exigências previstas na Lei nº 7.783/89 e comprometeu a continuidade do serviço público de saúde. A decisão foi divulgada no Diário da Justiça desta terça-feira (24).

O ContilNet entrou em contato com a assessoria do Sindmed, que informou que, embora o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tenha seguido o entendimento inicial pela ilegalidade do movimento, o balanço final é de uma vitória para a categoria (leia a nota na íntegra abaixo)

A paralisação, anunciada por tempo indeterminado a partir de 8 de maio de 2025, foi motivada por reivindicações salariais e questionamentos sobre condições de trabalho. Ao julgar ação proposta pelo Estado do Acre, a Corte concluiu que a comunicação da greve ocorreu com apenas 48 horas de antecedência — abaixo das 72 horas exigidas para atividades essenciais.

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No acórdão, o colegiado reforçou que “o direito de greve dos servidores públicos que atuam em serviços essenciais submete-se aos limites previstos na Lei nº 7.783/89 e aos princípios da continuidade e da supremacia do interesse público”.

A decisão também destacou que “a inobservância do prazo mínimo de 72 horas para comunicação da greve em serviços essenciais caracteriza abuso do direito de greve”.

Outro ponto central foi a ausência de garantia de funcionamento mínimo da rede pública. Segundo o texto, “a ausência de garantia de manutenção dos serviços inadiáveis torna irregular o movimento grevista no âmbito da saúde pública”.

Nota pública do Sindmed

O Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC) vem a público informar aos seus filiados e à sociedade acreana que, embora o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tenha seguido o entendimento inicial pela ilegalidade do movimento paredista, o balanço final é de uma vitória para a categoria.

A atuação estratégica do Sindicato, aliada à sensibilidade do Judiciário, permitiu que os objetivos centrais da greve fossem alcançados por meio da conciliação, tornando o julgamento do mérito uma etapa secundária diante dos resultados práticos conquistados.

  • Os Avanços Conquistados
    Justiça Financeira: Através da intermediação direta da Desembargadora Denise Bonfim em audiência de conciliação, o Estado do Acre (Sesacre) comprometeu-se com a atualização de seus procedimentos internos para um correto fluxo de pagamento.
  • Resultados Imediatos: Esse acordo já viabilizou o pagamento de R$ 1.074.231,89 em verbas salariais atrasadas, beneficiando centenas de médicos — tanto ativos quanto exonerados — que aguardavam há anos por suas verbas rescisórias.
  • Combate ao Assédio Moral: O movimento fortaleceu os mecanismos de denúncia e resultou em uma solução para casos crônicos de assédio moral, garantindo um ambiente de trabalho mais digno e seguro para o profissional médico.

O Papel do Judiciário e a Superação do Conflito

É importante destacar que a liminar que suspendeu a greve já sinalizava o entendimento da Corte. No entanto, o Sindmed-AC soube converter o cenário jurídico em uma oportunidade de diálogo construtivo.

O objeto da greve encontra-se, em grande parte, superado pelo acordo formalizado. Mostramos que a união da categoria é capaz de mover as engrenagens do Estado, garantindo direitos que estavam paralisados pela burocracia.

O Sindmed-AC reafirma que a maior vitória não reside em uma sentença, mas na celeridade dos pagamentos e no respeito ao médico. O acordo firmado no TJAC comprova que as reivindicações eram justas e urgentes. Seguimos vigilantes, com a certeza de que a nossa mobilização foi o combustível necessário para que esses avanços saíssem do papel.

 

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