Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.
O caso de estupro coletivo envolvendo uma adolescente de 17 anos em um apartamento de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, gerou forte repercussão nas redes sociais e levou diversos artistas brasileiros a se manifestarem publicamente nesta terça-feira (3/3) e quarta-feira (4/3). Dentre os vários famosos que comentaram o episódio e compartilharam mensagens de indignação, reflexão e cobraram mudanças, estão: Diogo Nogueira, Bruno Gagliasso, Dani Calabresa, Caio Manhente, Poze do Rodo, Carolina Dieckmann, Jojo Todynho e Letícia Spiller.
O cantor Diogo Nogueira afirmou estar “indignado, triste e angustiado” com o caso e disse que a violência contra mulheres é uma responsabilidade que também precisa ser enfrentada pelos homens. Pai de um jovem de 20 anos, ele fez um apelo para que homens se posicionem contra atitudes machistas e misóginas. “A gente precisa se posicionar, a gente precisa se manifestar, abrir conversa sobre os assuntos e sobre o absurdo que as mulheres vivem dia após dia. As barbaridades que acontecem, que estão acontecendo agora, nesse minuto. E os homens continuam sentados, de braços cruzados”, declarou.
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Já o ator Bruno Gagliasso ressaltou que episódios de violência contra mulheres não são casos isolados, mas parte de um padrão estrutural. Em um vídeo publicado nas redes, ele criticou o silêncio masculino diante desse tipo de crime e afirmou que relativizar abusos também contribui para a perpetuação da violência. “Força de verdade não agride, não abusa, não ameaça. Força de verdade respeita limite. Protege criança. Eu sou pai de menina. Isso muda tudo. Os últimos acontecimentos têm deixado todo mundo mexido. Eu estou muito mexido. Porque não é estatística. É alguém que pode ser minha filha. Pode ser sua irmã. Pode ser sua mãe”, disse.
A humorista Dani Calabresa também comentou o assunto e refletiu sobre os desafios de criar filhos em uma sociedade marcada pelo medo constante que as mulheres enfrentam. Mãe do pequeno Bernardo, ela relatou que, durante a gravidez, chegou a temer ter uma filha por conta das inseguranças que muitas mulheres vivem diariamente. Para a artista, a mudança passa pela educação dos meninos. “Agora diante de todas essas notícias destruidoras, revoltantes, essas barbaridades que vêm acontecendo – desde sempre – eu fico pensando como é difícil ser mãe de menino. Porque a gente precisa criar homens que gostem de mulheres. Homens que respeitem mulheres. Homens que não associem um brinquedo de menina a uma coisa chata, fraca, afeminada. Sem graça. Homens que entendam que é inadmissível você forçar um contato físico. Você agarrar alguém à força. Você ultrapassar qualquer limite”, afirmou.
O ator Caio Manhente também direcionou seu discurso principalmente ao público masculino. Ele destacou que o Brasil registrou recorde histórico de feminicídios em 2025 e criticou a influência de comunidades online que incentivam discursos de ódio contra mulheres. “Se afastem dessas bolhas redpill, masculinistas, malucas. Isso só vai acabar com a cabeça de vocês. Só vai gerar ódio, rancor. E é nossa responsabilidade não engajar essa merda desse tipo de conteúdo. A gente sabe como o algoritmo funciona”. Segundo ele, é essencial discutir consentimento e responsabilizar homens que relativizam ou silenciam diante de situações de violência.
Entre as manifestações mais contundentes esteve a do cantor Poze do Rodo, que demonstrou revolta ao comentar o caso. Pai de quatro meninas, ele afirmou estar tomado pela indignação diante da violência contra a jovem e criticou duramente os acusados, classificando o crime como “gravíssimo” e cobrando punição. Ainda, questionou por que os acusados foram conduzidos sem o rosto exposto e sem algemas, citando seu próprio caso, quando foi preso por apologia ao crime. “Comigo, o maior esculacho. Os caras vêm sabendo que eu ia ser solto. Os caras só vêm me prender para me deixar lá, depois me soltar. […] Cheio de ódio que eu estou mesmo, rapaz. Cambada de vacilão aí, cometendo é um erro grave, gravíssimo, é um desacreditado mesmo. Não tem nem papo, mano”, disse o funkeiro.
A atriz Carolina Dieckmann também se posicionou ao publicar uma sequência de imagens nas redes sociais criticando a violência contra mulheres. Na legenda, ela destacou o impacto do silêncio diante das injustiças e mencionou dados sobre a frequência com que mulheres sofrem violência.
No mesmo tom, Jojo Todynho gravou um vídeo direcionado principalmente aos jovens, alertando sobre as consequências de atitudes irresponsáveis e da influência de más companhias. A cantora afirmou que casos como esse revelam a gravidade de comportamentos violentos e reforçou a importância da orientação familiar.
A atriz Letícia Spiller também criticou a cultura que, segundo ela, ainda relativiza agressões contra mulheres. Em sua publicação, afirmou estar cansada de ver a violência se repetir e transformar mulheres em estatísticas. “A violência contra a mulher não é exceção. É estrutura”, escreveu, defendendo a necessidade de posicionamento público diante do problema.
A repercussão entre artistas e influenciadores reflete a dimensão do debate nas redes sociais após o crime, que segue sendo investigado pelas autoridades. Até o momento, quatro jovens maiores de idade foram presos por suspeita de participação no estupro coletivo da adolescente de 17 anos ocorrido em 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O advogado José Carlos Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do Rio de Janeiro, foi exonerado após a repercussão do crime, já que seu filho, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, é apontado pela polícia como um dos participantes do crime.





