Após oscilações do Rio Acre, Defesa Civil não descarta novo transbordamento

Apesar de o nível do Rio Acre não estar próximo da cota de alerta, que é de 13,50 metros, ainda não é possível descartar a possibilidade de um quarto transbordamento

Coronel Falcão/Foto: Reprodução

O Rio Acre apresentou novas oscilações no nível das águas nesta quarta-feira (11). De acordo com a medição da Defesa Civil de Rio Branco, o nível das águas registrou elevação às 5h de terça-feira (10), mas apresentou vazante nas medições seguintes, com 19,80 mm/24h de chuvas.

Já nesta quarta-feira, o dia amanheceu com o rio em nova elevação, registrando 10,47 metros. Na medição das 15h, o nível das águas já estava com mais 26 centímetros, alcançando a cota de 10,73.

Ao ContilNet, o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, o órgão está em monitoramento constante. “Nós monitoramos a todo momento para poder tomar ações que serão necessárias, mesmo assim, a gente tem um planejamento feito desde dezembro, pois já foram três transbordamentos do final do ano para agora”, explica.

O tenente explicou, ainda, que o plano de contingência está pronto, assim como as equipes e o Parque de Exposições Wildy Viana, onde os abrigos estão montados desde dezembro. “Estamos prontos com todas as ações que são necessárias para caso o rio transborde. Nós estamos em uma instabilidade muito grande, até meia-noite, de terça para quarta-feira, o rio estava em vazante e já começou a aumentar novamente. Apesar de que eu creio que ele não deve chegar em uma cota de alerta”, disse.

Apesar de o nível do Rio Acre não estar próximo da cota de alerta, que é de 13,50 metros, ainda não é possível descartar a possibilidade de um quarto transbordamento. “Nós temos transbordamentos recorrentes a partir da segunda quinzena, às vezes na primeira, desde o mês de fevereiro, mas o fato é que a maioria das vezes que aconteceu transbordamento em Rio Branco foi em março e a gente está nesse período, mas estamos prontos para ação em qualquer momento”, afirma.

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Com a oscilação do nível das águas, o tenente-coronel explicou que o Rio Acre pode entrar em vazante nos próximos dias em Rio Branco. “Ele pode entrar em vazante como ele entrou de ontem para hoje, mas imediatamente começou a aumentar novamente, basta que tenha chuvas. Nós temos previsão de chuva para os próximos dias. Agora com 10,70 metros, para a gente chegar numa conta de transbordamento é muito rápido, basta que a gente tenha uma chuva maior, de 50 mm ou 70 mm, e também que chova nas cabeceiras”, destaca.

“Com esses fatores combinados, a qualquer instante ele pode aumentar e ficar em transbordamento. Essa cota que nós estamos, já é perigosa, por isso nós chamamos de cota de atenção, porque fica muito perto de um transbordamento. Ele pode sim nos próximos dias entrar em vazante e depois ele voltar a aumentar novamente subitamente como aconteceu de ontem para hoje”, concluiu.

Coronel Falcão/Foto: ReproduçãO coronel disse ainda que nunca aconteceu do Rio Acre transbordar em Rio Branco quatro vezes em com poucos meses de distância, mas não descarta a possibilidade. “Coisa que nunca aconteceu antes, mas pode acontecer, infelizmente. Então, nós só teremos uma segurança de descartar essa possibilidade a partir da segunda quinzena de março, próximo do dia 20. Aí, dentro dos modelos que nós estudamos, a gente pode dizer: “Não, agora vai vai tranquilizar”. Até lá, a gente fica nessa situação que nós estamos passando agora”, disse.

Histórico

O Rio Acre transbordou em dezembro de 2025 e diversas famílias foram retiradas de suas casas e levadas para o abrigo no Parque de Exposições. Dias depois, o Rio Acre voltou a subir e, em 19 de janeiro, a cheia já afetava 27 bairros de Rio Branco e impacta diretamente mais de 2,3 mil pessoas no perímetro urbano, segundo levantamento da Defesa Civil Municipal. Pela terceira vez, em fevereiro, o Rio Acre transbordou e, em 2 de fevereiro, marcou 15,42 metros.

A cheia registrada em dezembro de 2025 chamou atenção por um fator histórico: o transbordamento do rio nesta época do ano é um evento extremamente raro. De acordo com informações apresentadas em vídeo pelo tenente-coronel Cláudio Falcão, apenas uma vez na história, antes de 2025, houve registro de cheia com transbordamento em dezembro.

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