A situação jurídica de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo tornou-se ainda mais delicada nesta segunda-feira (20/04). Reportagem do Fantástico trouxe a público gravações onde Ryan conversa abertamente com o contador Rodrigo Morgado apontado como o “cérebro” financeiro do grupo sobre a circulação de milhões vindos de apostas e rifas clandestinas.
O Conteúdo das Gravações
Nos áudios interceptados com autorização judicial, o funkeiro demonstra ciência sobre a origem e o volume dos recursos:
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Ostentação de Lucros: “Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época do Tigrinho tava bom mesmo, eu tava arregaçando”, diz Ryan em um dos trechos mais comprometedores.
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Negociação de Fachada: Em outro momento, ele orienta o contador sobre quanto cobrar para divulgar uma casa de apostas: “Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”.
Com informações do Metrópoles.
O Papel dos Artistas no “Exército de Formigas”
A Polícia Federal detalhou como a fama dos MCs era vital para o esquema:
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Confusão Patrimonial: As contas dos artistas eram usadas para misturar dinheiro lícito (shows e publicidade) com recursos do tráfico de drogas e jogos ilegais.
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Sistema Pulverizado: Para evitar o alerta do Coaf, o grupo utilizava o método “formiga”: transformava R$ 5 milhões em 500 transferências de R$ 10 mil através de centenas de “laranjas”.
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Ponte entre Facções: A investigação cita que os recursos que passavam por Ryan e Poze poderiam ter ligações com o PCC e o CV, servindo como um hub financeiro para o crime organizado.
O “Cérebro” do Esquema
Rodrigo Morgado é descrito pela PF como o operador responsável por blindar o patrimônio dos artistas e converter milhões em criptomoedas. Ele teria montado empresas de fachada para dar aparência de legalidade ao fluxo de R$ 1,6 bilhão movimentado pela rede.
Posicionamento das Defesas: As defesas de Ryan SP e Poze do Rodo reiteram que as movimentações financeiras são lícitas e fruto do trabalho artístico. Rodrigo Morgado afirma que atua dentro da legalidade e provará sua inocência. Os MCs seguem detidos enquanto a PF analisa os R$ 20 milhões em bens apreendidos nesta fase.

