O ex-ministro e prĂ©-candidato do PT ao Governo de SĂŁo Paulo, Fernando Haddad, criticou neste sábado (30) o seu adversário polĂtico, o governador TarcĂsio de Freitas (Republicanos), por endossar a articulação internacional liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar fluminense atua junto ao governo dos Estados Unidos para que Washington classifique formalmente as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A declaração do petista foi dada durante entrevista coletiva no Largo do Arouche, na região central da capital paulista, onde Haddad comandava uma agenda pública voltada aos debates de seu plano de governo.
Na Ăşltima quinta-feira (28), TarcĂsio de Freitas havia parabenizado publicamente Flávio Bolsonaro pela iniciativa em suas redes sociais. Na ocasiĂŁo, o atual governador paulista afirmou que o “PCC e o CV nĂŁo sĂŁo facções: sĂŁo terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação alĂ©m das nossas fronteiras”.
Para Haddad, a postura do chefe do Executivo paulista gera estranheza e o movimento da famĂlia Bolsonaro configura um retrocesso diplomático. “O presidente Lula fez inĂşmeras reuniões com o governo americano, isso nunca foi nem pauta. EntĂŁo, os Bolsonaro, Flávio, Eduardo, eles continuam jogando contra o paĂs. E o estranho Ă© o governador TarcĂsio elogiar isso, como se isso fosse um grande gesto. Isso nĂŁo Ă© um grande gesto, isso depõe contra o paĂs, tá bom?”, rebateu o ex-ministro.
Ao ser questionado sobre as estratégias adequadas para o enfrentamento das organizações criminosas, o pré-candidato do PT defendeu que o combate ao crime organizado deve ser tratado sob a ótica estrita da segurança pública, e não como uma pauta de defesa nacional.
O petista alertou que a eventual interferĂŞncia direta de uma potĂŞncia estrangeira na classificação jurĂdica do crime organizado nacional engessará os canais oficiais de inteligĂŞncia policial já existentes entre os dois paĂses.
“Quando vocĂŞ cria uma hierarquia entre dois paĂses, como eles estĂŁo fazendo, vocĂŞ trava processos de cooperação tĂ©cnica, de troca de informações que estavam em curso e onera os custos para a economia brasileira”, pontuou o candidato da oposição.
Haddad sublinhou que o alinhamento histĂłrico entre BrasĂlia e Washington sempre foi pautado pela cooperação mĂştua e horizontal, independentemente das trocas de comando nos regimes de ambos os lados. Ele aproveitou a oportunidade para desferir crĂticas ideolĂłgicas aos parlamentares do PL.
“Essa turma mais de extrema direita devia pensar nos prejuĂzos que eles causaram na pandemia e agora nos prejuĂzos que eles estĂŁo causando Ă relação interestatal, entre duas nações que sempre cooperaram entre si. Nunca houve desavença, nĂłs sempre cooperamos, Brasil e Estados Unidos, nĂ©? Em todos os governos.”
O ex-ministro assegurou ainda que o setor produtivo nacional já começou a manifestar contrariedade com a medida, temendo sanções econômicas ou barreiras burocráticas internacionais acessórias que possam encarecer o fluxo comercial do Brasil no exterior.
De acordo com Haddad, a proximidade da famĂlia Bolsonaro com o ex-presidente americano Donald Trump e a atual cĂşpula republicana atua contra a soberania das instituições nacionais.
“É fumaça, que encarece, cria uma subserviência do Brasil, e isso pedido por brasileiros. Quer dizer, tem um governo no Brasil, né? Isso tem que ser acertado com o governo brasileiro”, concluiu o pré-candidato petista.


