Denúncia grave
Uma denúncia para deixar o Ministério Público e outros órgãos fiscalizadores no mínimo com a pulga atrás da orelha. Uma das aprovadas no concurso municipal de Educação realizado no ano passado vem questionando a relação de alguns setores da prefeitura de Rio Branco com clínicas particulares do Acre.
Máfia?
Raika Ferreira, a denunciante, disse que está se sentindo muito prejudicada por não conseguir fazer os exames exigidos pelo edital do concurso em nenhuma instituição da Saúde pública do Estado. Ela acredita existir uma “máfia” por parte de alguns setores públicos do município com clínicas particulares que estão fazendo uma espécie de “pacote” para atender as pessoas aprovadas.
Proibidos
“Os funcionários dos setores públicos são proibidos de fazer os exames exigidos pelo edital do concurso. Nas clínicas particulares ficam prontos em menos de uma semana, e por isso o sistema público de Saúde tem proibido esse atendimento, para que as pessoas sejam obrigadas a recorrerem às empresas particulares”, diz Raika.
30 dias
Raika Ferreira foi uma das aprovadas no concurso municipal de Educação realizado no ano passado. No dia cinco de janeiro de 2017, ela e mais 1.042 pessoas foram convocadas para atuar em seus respectivos cargos, mas terão 30 dias contando da data de convocação para entregar os exames admissionais.
Dificuldades
Segundo a aprovada, desde que iniciou o processo para contratação ela tem enfrentado muitas dificuldades para realizar as consultas com alguns especialistas da rede pública como: psiquiatra, oftalmologista, ortopedista, otorrinolaringologista, e também para fazer alguns exames.
Ordem superior
Raika procurou a reportagem da ContilNet para denunciar que diretores, coordenadores de postos e hospitais receberam uma ordem superior para não atender ninguém do concurso, sendo que eles têm um prazo para entregar toda a documentação de exames exigida no processo de contratação.
Resposta negativa
“Eu e alguns professoras que também foram aprovadas temos acordado pela madrugada para irmos aos postos de Saúde, no Hosmac, nas Uraps, pronto socorro, Fundação Hospitalar etc., mas o que temos de resposta é um ‘não’. Eles sempre falam a mesma coisa: que não têm ordem para atender ninguém de concurso. Procuramos o secretário municipal de Saúde, Oteniel Almeida, mas não conseguimos falar com ele, pois sempre estava em reunião”, desabafou.
Só nas clínicas particulares

Oteniel Almeida, secretário municipal de Saúde/Foto: A Tibuna
“Os próprios médicos especialistas também estão se recusando a nos atender na rede pública, mas quando é nas clínicas ou consultórios particulares eles atendem normalmente porque são pagos em dinheiro”, diz a concursada.
Pacotes caros
Ela diz ainda que as clínicas particulares estão fazendo pacotes que custam em torno de R$ 963,00 a R$ 1200, e tudo sai em menos de uma semana. “Minha indignação é porque me parece que existe uma espécie de complô ou máfia! E como fica a situação de quem não tem esse dinheiro para pagar? Tem gente pegando dinheiro emprestado, usando cartão de crédito. E quem não tem a quem recorrer, que depende da rede pública e paga um absurdo de impostos?”, questionou.
Secretário ?
A repórter Alamara Barros, que conversou com Raika, entrou em contato com o secretário municipal de Saúde, Oteniel Almeida. Este apenas a informou que caso estaria sendo tratado com os secretários “Cláudio da Administração e Márcio da Educação”.
Com o prefeito
Raika e outros denunciantes deverão procurar o prefeito Marcus Alexandre nesta terça-feira para pedir ajuda. “Acreditamos que o prefeito não esteja sabendo das dificuldades impostas por alguns setores da prefeitura de Rio Branco”, diz um jovem que enfrenta as mesmas dificuldaes da concursada Raika.
