Com equipamentos velhos, Acre pode ficar sem radioterapia para câncer a partir de março

Acre pode ficar sem radioterapia /Foto: Reprodução

Apesar de ser governado por um médico infectologista, os fatos revelam o despreparo dos gestores em Saúde no Acre. Uma denúncia foi encaminhada para a ContilNet dando conta de que a Bomba de Cobalto (veja descrição abaixo) tem seu prazo de validade expirando em cerca de 60 dias, não havendo prazo para sua substituição. O novo equipamento, similar e mais moderno, ainda está em licitação para ser implantado.

Conforme revelou a fonte das informações, a validade da “bomba de cobalto” vence já no mês de março e precisa de substituição. Este aparelho já vinha apresentando problemas desde o ano passado por conta do tempo de uso e chegou a ficar mais de 30 dias seguidos paralisado para manutenção.

Um novo aparelho similar já teria até os recursos liberados para a compra com dinheiro de um fundo governamental. Ocorre que este equipamento vem do Canadá e não há notícias do processo licitatório. Com isso, a partir de março os pacientes em tratamento radiológico contra o câncer terão que encontrar outras formas de tratamento.

Segundo o denunciante, existe um acelerador linear previsto (veja descrição abaixo) para ser instalado no Hospital do Câncer, mas disse não acreditar na instalação antes do fim do ano. Este equipamento foi prometido desde julho de 2015 e era para ter entrado em operação em 2016. Mas até a presente data ainda não foi instalado.

“Se tudo fosse planejado corretamente, o Estado já teria em funcionamento os dois aparelhos para tratamento do câncer. Mas com todo esse processo burocrático para os dois equipamentos, deve demorar ainda vários meses. Assim, provavelmente vai parar tudo a partir de março e obrigar a população a sair do Acre em busca de tratamento fora do domicílio, com mais gastos e desgastes”, revelou o denunciante.

Irradiação por “Bomba de Cobalto”

Os irradiadores, denominados de Bombas de Cobalto /Foto: Reprodução

A radioterapia é usada para eliminar tumores malignos (cancerígenos) utilizando radiação gama, raios-X ou feixes de elétrons. O princípio básico é eliminar as células cancerígenas e evitar sua proliferação, substituindo as células danificadas por sadias.

Os irradiadores, denominados de Bombas de Cobalto (Co-60), possuem uma fonte radioativa de alta atividade, com cerca de 3000 ‘Curies’, circundada por uma blindagem muito grande e com uma “janela” de saída de um feixe colimado, o que ocorre após a retirada de um obturador. Trata-se de um equipamento portador de uma fonte radioativa de alta atividade e que, não pode ser “desligado”. Com informações de: <http://www.medicinapratica.com.br/tag/bombas-de-cobalto-60/>.

Acelerador Linear

Acelerador linear /Foto: Reprodução

O acelerador linear é outro equipamento de radioterapia e tem como diferencial uma enorme precisão para atingir o tumor, o que torna os tratamentos mais rápidos e com menos efeitos colaterais. Para passar por esse tipo de tratamento, o paciente primeiro é submetido a um processo de planejamento, que consiste em localizar milimetricamente com imagens tridimensionais o tumor no interior de seu corpo e detalhar a incidência das radiações sobre ele, de forma a evitar os tecidos saudáveis.

Fonte: Hospital Sírio Libanês 

O tempo médio das sessões de radiação são de aproximadamente 15 minutos (Bomba de Cobalto) e 5 minutos (Acelerador Linear). Em alguns tipos de câncer, como os da próstata, o tempo total do tratamento, varia de oito semanas (Cobalto) e duas a quatro semanas (Acelerador).

Hospital do Câncer envia nota de esclarecimento

Os pacientes seguem sendo atendidos na Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia do Acre (Unacon), em conformidade com a necessidade de seus tratamentos. O Ministério da Saúde reeditou a licitação para construção da sala do acelerador linear no dia 17 de janeiro deste ano, tendo em vista que a empresa de Rio Branco, vencedora do primeiro processo licitatório, desistiu da obra. Por isso, houve atraso na entrega do equipamento. A previsão é que o equipamento seja instalado no segundo semestre deste ano.

Ministério da Saúde está viabilizando outra fonte para o aparelho que está em operação na Unacon, cujo vencimento é em abril e não março, assim ele poderá ser utilizado até a entrega do acelerador linear. Contudo, caso haja qualquer problema no aparelho em funcionamento, os pacientes não correm riscos de ter prejuízos no tratamento porque poderão ser encaminhados para Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

Mirza Félix, Gerente-geral do Hospital do Câncer

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