A Secretaria de Estado de Educação (SEE) pode estar às vésperas de adquirir carne de origem duvidosa, sem a devida fiscalização e condições de armazenamento. Uma denúncia foi encaminhada à ContilNet, dando conta de vícios no pregão eletrônico SRP n° 750/2016 CPL 02. Segundo a denúncia, houve questionamento para a Comissão Permanente de Licitação (CPL), mas foi mantido o texto original do edital.
Conforme revelou a denunciante, o problema já se arrastaria desde o ano passado, quando foi tentada uma licitação nos mesmo moldes, mas uma das empresas questionou a falta de fiscalização estadual por parte do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) nas carnes manipuladas. Nos editais de 2015 e de 2016 é requerido apenas a licença de funcionamento por parte da prefeitura, enquanto a lei estadual exige para estes casos a fiscalização do Idaf.

Carne com origem, mas manipulação duvidosa
Apesar de todas as carnes distribuídas pelos licitantes serem provenientes de frigoríficos com fiscalização e com o Selo de Inspeção Federal (SIF), a partir da entrega para o distribuidor o produto é manipulado e necessita ser armazenado corretamente, com temperatura abaixo de zero e com fiscalização especializada.
Este seria o motivo da denúncia, pois somente duas empresas entre as dezenas de concorrentes possuem as câmaras frias para o armazenamento e os profissionais responsáveis pela manipulação do alimento, o que é feito sob fiscalização constante do Idaf.
Alunos podem adoecer e serem contaminados
Segundo um técnico em alimentos ouvido sob sigilo pela ContilNet, a carne é considerada um dos gêneros alimentícios mais propícios à contaminação. “Os microrganismos patogênicos necessitam de temperatura e umidade elevadas, além de um meio de cultura. Ocorre que o sangue é um dos melhores meios de cultura e se o material [carne] for manipulado incorretamente e armazenado sem a temperatura ideal, quem consumir pode ter sérias problemas gastrointestinais e processos infecciosos”.
Segundo o técnico, caso a carne seja simplesmente distribuída em veículo sem refrigeração já é o suficiente para iniciar o processo de contaminação: “Se isso acontecer, quem consumir essa carne pode estar exposto a doenças. Isso significa dizer que todos os alunos da rede pública de Educação podem estar expostos se consumirem alimente de procedência duvidosa”.
