PSL: partido comandando por juiz aposentado é o ‘fiel da balança’ da base de Marcus Alexandre

Nem mesmo o mais experiente assessor político do prefeito Marcus Alexandre, o Chicão Brígido – que voltou a acompanhar as sessões ordinárias na Câmara Municipal de Rio Branco – imaginou que o início do ano legislativo fosse ser tão frenético. Em menos de 30 dias foi implantada uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e um vereador, o José Carlos Juruna (PSL), foi preso condenado por peculato e outros crimes.

No centro dos debates, além do aumento da tarifa, estão os contratos e aditivos feitos entre o município e as empresas de transportes coletivos. Autor do requerimento que propôs a CEI, o vereador Roberto Duarte (PMDB) afirma que existem indícios de irregularidades nos processos. O líder do prefeito, vereador Eduardo Farias (PCdoB), retruca com a tese de que CEI seria último recurso a ser aplicado.

Mas nem PMDB e nem PCdoB conseguiram chamar tanta atenção como o Partido Socialista Liberal (PSL). A sigla está diretamente envolvida no cenário de sustentação da base do prefeito Marcus Alexandre na constituição da CEI, assim como na prisão do vereador Juruna, fatos que ganharam novo contorno com a liberdade concedida pelo Superior Tribunal de Justiça ao vereador condenado na última sexta-feira (17).

Os liberais travam nos bastidores estratégias que até aqui têm sido fundamentais para a chamada governabilidade. O partido passou a ser considerado como: O Fiel da balança. O grupo é ligado ao diretor presidente do Detran/AC, o juiz aposentado Pedro Longo, que recebeu a reportagem da ContilNet em seu gabinete para falar sobre esses assuntos.

Voz calma e serena, Pedro é um homem de respeitável dignidade, empresta toda a sua experiência jurídica e política, no crescimento do partido que praticamente havia desaparecido no cenário estadual. Sem pauta combinada, no fim do expediente, ele se prontificou a falar sobre os principais assuntos que envolvem o seu partido.

A briga entre a executiva municipal e o vereador Emerson Jarude – Segundo Pedro Longo, que é o presidente regional do PSL, ele tem procurado ouvir os dois lados da questão e buscado uma solução que seja agradável para todos.

“Os partidos têm regras, não é só o PSL, cada um tem seu estatuto, código de ética e os diretórios com liberdade de agir” disse Pedro.

Com relação à indicação de Juruna e não Jarude para a Comissão Especial de Inquérito constituída na Câmara Municipal para investigar o sistema de transportes coletivos de Rio Branco, ele observou que o PSL nunca vacilou com relação ao lado político que escolheu para caminhar.

“Nunca foi segredo para ninguém que o PSL faz parte da base do prefeito Marcus Alexandre. Se espera que o parlamentar eleito pelo partido e acompanhe esse alinhamento”, destacou.

Ao mesmo tempo em que deixa claro a postura alinhada com a Frente Popular do Acre, Pedro Longo pondera e destaca que: “Isso não quer dizer que o vereador não possa ter uma objeção de consciência”. Para o juiz aposentado, isso faz parte do jogo político.

“Mas quando o partido fecha questão, como ocorreu neste caso da municipal, aí também se espera que nesse momento o parlamentar, ainda que tenha uma posição diferente, respeite o partido, já que ninguém se elege sozinho, com seus votos”, comentou.

Segundo o presidente regional do PSL, o coeficiente eleitoral de 2016 era de 11 mil votos para o partido fazer a primeira vaga. Ele lembrou que o vereador mais votado do partido fez 2.700 votos, “o restante foram dos companheiros que formaram a coligação, o que deixa claro que sem partido ninguém se elege”, voltou a opinar.

O diálogo – Pedro Longo disse que buscará o esgotamento do diálogo para que neste caso envolvendo a executiva municipal e o vereador Jarude se encontre uma saída que seja boa para todos. Ele defendeu a preservação da independência parlamentar, mas também o respeito ao partido “nas decisões que forem tomadas de acordo o estatuto”, pontuou.

A investigação às empresas de transportes coletivos – Para falar sobre a atuação da CEI, longo se manifestou como jurista, frisou que analogicamente o regimento da Câmara Municipal seja comparado ao do Congresso, que exige fato determinado para instalação de uma CEI.

“Qual é o fato investigado? Confesso que ainda não entendi no âmbito dessa comissão. Se houver uma denúncia concreta, desvio de X ou Y, aí sim teríamos um fato concreto. Vejo a formação dessa CEI como último recurso, mas isso é a minha opinião”, rechaçou.

A prisão de Juruna – Com relação a prisão do vereador Juruna, indicado pelo partido para compor a CEI, Pedro voltou a falar com sua experiência jurídica. Mesmo não tendo conhecimento do processo, disse que pelas informações repassadas pelo advogado do vereador, houve uma falha de defesa.

“A decisão do STJ encaminha para isso. É uma questão técnica, o partido deve aguardar o resultado final do processo para tomar alguma decisão”, argumentou.

Pedro Longo revelou que Juruna foi recebido com festa no camelódromo de Rio Branco. “Se ele tivesse feito alguma coisa contra a categoria não estaria mantendo esse respaldo. Eu parto da ideia de presunção da inocência, isso vale não só para o Juruna para o Juruna, mas para todos”, destacou.

O PSL – Ao falar sobre a atuação do PSL como o fiel da balança até aqui, Pedro Longo quebrou o tom mais formal da conversa e sorriu quando disse que nos bastidores dizem que o partido cresceu tanto que já tem até grupos internos.

“Nós fizemos dois vereadores em Rio Branco, um em Cruzeiro do Sul, um em Sena Madureira e o vice-prefeito de Acrelândia, o partido não tinha ninguém com mandato. Por isso as posições não podem ser apenas da opinião de um único vereador, temos que ouvir o conjunto, somos democratas acima de tudo”, analisou.

PSL não tem dono – Ainda de acordo Pedro Longo, a sigla tem crescido em todo o estado por que não tem “dono”.

“Eu gosto de submeter as questões ao coletivo, como aconteceu nessa questão da CEI, uma posição legítima que merece ser respaldada”.

O juiz aposentado não escondeu a pretensão do partido de eleger um deputado federal e dois deputados estaduais.

“Partido que tem dono está fadado a derrota”, concluiu.

PUBLICIDADE