A partida final e entre o Flamengo, do Rio de Janeiro, Brasil, e o River Plate, de Buenos Aires, Argentina, no Estádio Monumental, em Lima, no Peru, que vai ocorrer no próximo sábado, dia 23, está movimentando a economia local. O jogo será promovido a partir das 17h (horário de Brasília), 15 horas no Acre, com transmissão pela TV aberta.
Acreanos de Rio Branco e de vários municípios, principalmente na região de fronteira, no Alto Acre, estão se organizando em grupos ou viajando sozinhos ou com a família para participar do evento. Estão vindo também torcedores de várias regiões do país, inclusive do Rio de Janeiro, que viajam de carros e devem cruzar o Acre até a véspera do jogo. Há acreanos viajando inclusive de taxi, a partir de Epitaciolândia e Brasiléia, no Alto Acre. A passagem de táxi, ida e volta, fica em torno de R$ 1 mil e o valor pode ser cotizado e divididos entre os quatro passageiros, o total que cabe nos veículos.
A estimativa é que pelo menos 25 mil brasileiros cruzem a fronteira para assistir a partida. A distância de Rio Branco, no Acre, para Lima, em linha reta, por avião é de 1037 quilômetros, e por estrada é de 2060, saindo da Capital do Acre pela BR-317, até o município de Brasiléia, quando a rodovia, a partir dali, se transforma em “Estrada do Pacífico” e de lá, 111 quilômetros depois, se chega em Assis Brasil, na fronteira com Inapari, no Peru. A partir dali a Estrada, em território peruano, passa a se chamar “Carretera del Pacífico”, porque, menos de dois quilômetros depois, o viajante estará diante do Oceano, após atravessar a Cordilheira dos Andes, em Lima , a capital peruana. “É uma viagem muito prazerosa. Já a fiz muitas vezes, inclusive antes de a estrada ser pavimentada”, disse o advogado Cassiano Marques, ex-secretário de Turismo do Acre. “Mas é preciso se dirigir com muita atenção, porque é uma estrada ainda sinuosa e muito perigosa”, disse.

Grupo segue em caravana até o Peru/Foto: arquivo pessoal
De Assis Brasil à primeira capital em território peruano, Puerto Maldonado, é de 170 quilômetros, numa estrada bem feita e cujo percurso pode ser feito em menos de duas horas, disse o jornalista Suede Chaves, entusiasta da ligação do Brasil – através do Acre – com o Peru e viajante frequente deste trecho. De Puerto Maldonado a Cusco, uma das cidades turísticas mais visitadas do mundo, agora na rodovia chamada Interoceânica, a distância, subindo a cordilheira, é de 477 quilômetros. Cusco está a 3.339 metros acima do nível do mar e guias turísticos recomendam a ingestão, durante a permanência na cidade ou na subida da cordilheira, de chá de folha da coca, para melhorar a respiração e evitar o chamado “soroche” – traduzido do quéchua, antiga língua falada na região antes da chegada dos espanhóis, é algo como doença da montanha ou o mal da montanha, também conhecido como doença das alturas ou hipobaropatia. Trata-se de uma condição patológica relacionada aos efeitos da altitude nos humanos, causada por exposição aguda à baixa pressão parcial de oxigénio a altas altitudes. Ocorre normalmente acima dos 2400 metros de altitude. A maioria dos casos da doença de altitude é leve, mas alguns podem ser fatais.
Os sintomas tendem a ocorrer horas após a chegada em alta altitude e os sintomas incluem dor de cabeça, náuseas, falta de ar e incapacidade de se exercitar. Os casos leves podem se resolver em um período de um a três dias. Os casos mais graves podem necessitar de oxigênio, medicamentos e uma mudança para uma altitude mais baixa, além de acompanhamento médico.

Flamenguistas são recebidos no Peru/Foto: arquivo pessoal
A distância de Cusco a Lima, agora descendo a cordilheira para encontrar o nível do mar, é de 1.477 quilômetros. Muitos dos brasileiros a se aventurarem nesta viagem são acreanos. A movimentação de acreanos e de brasileiros de outros estados a caminho do Peru já está sendo sentida inclusive pela Secretaria de Turismo e Empreendedorismo do Estado, admitiu a secretária Eliane Sinhasique. “Eu só espero é que haja reciprocidade dos peruanos e que eles venham nos visitar em breve”, disse a secretária.
A movimentação também é sentida na fronteira com o Peru, admitiu o comerciante. Um dos viajantes é o empresário Luiz Medeiros, de Assis Brasil, cuja cidade, nos últimos dias, está lotada de veículos. “Nossa cidade fica um pouco fora da rota, da BR, mas, mesmo assim, muita gente desce para nos visitar, para tomar café, almoçar ou jantar. Isso está movimentando a cidade”, disse Medeiros. “É evidente que o Flamengo hoje é um fenômeno em termos de futebol e isso esta ajudando o comércio, sim”, disse.
João Paulo Menezes, de 28 anos, empresário em Epitaciolândia, é outro turista de ocasião que vai ao Peru ver seu time jogar. “Vou ver o Mengão ganhar. Vamos ganhar o Brasileirão e a Libertadores”, disse.
O peruano Pedro Zamora, 56 anos, que trabalha num ônibus de turismo que deixou o Rio de Janeiro há uma semana com destino a Lima, virou uma espécie de “faz-tudo” da caravana de flamenguistas cariocas que vão a Lima, passando por Rio Branco, numa viagem de no mínimo 120 horas. Até o horário do jogo, novos aventureiros devem chegar a Lima. A movimentação nas estradas a caminho do Peru ainda é grande.
