Rocha reconhece fragilidade em articulação política do governo, mas diz que 2020 será melhor

O convidado para fazer uma breve retrospectiva do ano de 2019 no ContilNet, foi o vice-governador do Acre, Major Rocha. Em uma conversa agradável, o braço direito do governador Gladson Cameli disse que as expectativas para 2020 são as mais positivas.

Na ocasião, o militar e ex-deputado federal reconheceu algumas falhas do governo – apontando a falta de articulação política como um dos principais pontos negativos –, mas defendeu que os ajustes estão sendo feitos, levando em consideração que 2019 foi um ano de “acomodação política”.

Rocha destacou as dívidas deixadas pelos governos petistas no Acre, abordou a situação da Segurança Pública, desdobrou os investimentos para o próximo ano e listou os possíveis nomes para as eleições de 2020 pelo PSDB (seu partido), quando vários candidatos disputarão as prefeituras dos municípios.

“Eu sinto que vamos melhorar muito e que temos muitas conquistas para 2020″/Foto: ContilNet

Confira na íntegra.

Breve resumo do ano de 2019 e perspectivas para 2020

O governo pegou salário atrasado e nós pagamos, dividas da gestão passada que sanamos. Se dependesse de mim, nós tínhamos priorizado as nossas contas, mas nós decidimos pagar o que ficou para nós. Nesse ano de 2020 nós vamos ter poucas contas para pagar. O cenário para o próximo ano, da economia nacional, será muito melhor. O Brasil conseguiu credibilidade junto aos investidores estrangeiros, o que reflete muito em nossa realidade. O país fez algumas reformas que foram necessárias. Neste ano, crescemos 0,5 e a previsão para o próximo ano, do PIB, é 4,5. O governador trabalhou muito bem na renegociação da nossa dívida. Eu sinto que vamos melhorar muito e que temos muitas conquistas para 2020.

A marca de vocês é o agronegócio. Como vocês desdobraram essa proposta e o que está sendo feito?

Para o próximo ano temos um investimento de 500 milhões do FNO para o Acre, com o apoio da bancada federal. Esse crédito será para investimentos na área de produção rural e para o empresariado acreano, além de investimentos na infraestrutura do estado, como manutenção de ramais e etc. A nossa preocupação está mais voltada para o pequeno e médio produtor, que carecem de recursos. O estado está promovendo assistência técnica para esses, já que ter recursos não é suficiente. Dia 20 de janeiro vamos ter a colheita da soja no Acre, a partir do trabalho de vários produtores que acreditaram na nossa proposta. Mesmo sendo uma produção pequena, nós acreditamos que isso dará um retorno importante para as famílias e, sobretudo, para o estado. Recuperamos um recurso de R$ 90 milhões que estava bloqueado desde 2017 e que seria utilizado para trazer melhorias aos produtores.

Avaliação da relação com Gladson Cameli

Muita gente de fora e até mesmo de dentro do governo acreditava e apostava em um rompimento na nossa parceria, pelo menos nos primeiros meses de governo. Quem torceu por isso, perdeu. Minha relação com ele é muito boa, de parceira e amizade. É verdade que temos divergências também, mas ainda assim temos buscado um entendimento que favoreça desenvolvimento para o nosso estado. Nós estamos frustrando essa ideia de que iríamos “espatifar o governo”. O fato é que o estado precisa de união, por viver atualmente a pior crise de sua história. Não lembro de outros governos assumirem com a mesma situação que a nossa. O estado está endividado, com problemas na previdência, de infraestrutura e de toda ordem. Meu papel é ajudar o governador, ajudar o estado e fazer o que é do meu papel. Gladson é meu parceiro.

O que o senhor pensa a respeito dos temas polêmicos que colocaram Gladson em uma “sinuca de bico”, como a troca de secretários, demissões em massa, Reforma da Previdencia e etc.? Qual sua participação nisso?

Nós temos que melhorar a articulação política do governo. É uma área muito sensível. Não quero dizer que está tudo errado, mas algumas situações temos que corrigir. O governo precisa ter sua base muito próxima. Não vejo vantagem nenhuma para o governo criar instabilidades, porque isso vai refletir na defesa dos projetos que são importantes para o estado. O momento é de ajustes. Nós estamos no início do governo, por isso estamos arrumando o que não estava arrumado. Precisamos evoluir. Gladson disse que está costurando essas relações aí. Não podemos repetir os erros que cometemos.

“O fato é que o estado precisa de união, por viver atualmente a pior crise de sua história”/Foto: ContilNet

É fato que há um investimento histórico na área de Segurança Pública, na compra de equipamentos para os policiais, e que o Acre, pelo que dizem as estatísticas, é o segundo estado que mais reduz o número de homicídios, entretanto, os índices de roubo e furto aumentaram significativamente. O que tens a dizer sobre isso? Quais estratégias estão sendo planejadas?

Nós também reduzimos o número de roubos e furtos no estado, mas os patamares que vivíamos estavam acima da normalidade e ainda não conseguimos reverter o quadro para a situação que gostaríamos de vivenciar. O certo é que Segurança Pública não é uma coisa simples. Conseguimos vários investimentos e instrumentos para atuar com mais força e garantir paz à sociedade, mas não é da noite para o dia. É bom lembrar que a Segurança também depende de outras áreas. Não adianta trabalhar pela segurança e não ter geração de emprego e renda. Infelizmente, nossa realidade não é tão agradável nesse sentido. Estamos avançando. Só vamos diminuir significativamente a violência ou acabar com ela, quando a economia do estado funcionar. O crime não pode mais ser a válvula de escape para aqueles que não encontram opção. É mau-caratismo e desonestidade não reconhecer o esforço do governo para garantir isso.

Satisfação dos policiais militares e civis e relação dos agentes com o governo.

Eu nunca vi em toda a minha vida como militar, um governo tão próximo da segurança pública como esse. O governador participa de grupos de WhatsApp de delegados, agentes e concursados que ainda não foram chamados. Nunca vi proximidade nas outras gestões. O que estamos fazendo na Segurança é desvincular qualquer trabalho da vida política/partidária. Nenhum dos nossos representantes de lá estão vinculados a partido A ou B. Eles estão dedicados exclusivamente ao comando das pastas. O governo do PT trabalhou os 20 anos dividindo as polícias, buscando coisas para um grupo e esquecendo de outros. Aqui nós crescemos juntos e lutamos pela integração das polícias, buscando melhorias para todos. Não temos medo de abrir as portas para aqueles que cuidam de todos nós e zelam pelo nosso bem-estar.

Articulação política e alianças. Há alguma indicação para ocupar a vaga de vice de Minoru Kinpara na chapa para disputar a Prefeitura de Rio Branco? PSDB e Progressista podem montar chapa única?.

Vou falar aqui como filiado. Não sou dirigente partidário. Não quero falar sobre decisões. Hoje a presidente é a Mara (Rocha), que com o Minoru e o Correinha, estão fazendo um trabalho lindo. O nome da Mara e o do Minoru apareceram aí nas pesquisas como possíveis indicações, mas o PSDB já definiu que o pré-candidato nosso é o Minoru. Essa articulação está sendo conversada pelos dirigentes. Eu, como filiado e alguém que está no governo, sonho com uma candidatura única, mas vejo que é muito difícil acontecer. O Gladson já se pronunciou algumas vezes a favor do Minoru, mas nada está definido. Isso passa pelas direções dos partidos. Em 2020 a decisão surge. Não vou emparedar o governador. Ele está dentro de uma aliança, e essa aliança tem outros candidatos. Eu vou entender se ele não apoiar o Minoru, mas o ideal, na minha opinião, é uma união.

Em 2022, Rocha continua na política ou sai da política?

Até lá tem muita estrada. As pessoas me colocam como um possível candidato ao governo em 2022, mas o meu candidato é o Gladson e a minha parceria é com ele. Nós queremos é trabalhar para que o governo dê certo. O nosso primeiro compromisso é com a população. Queremos reduzir os índices de violência, desigualdade e etc., além de cuidar da nossa economia.

Quais os possíveis nomes para as disputas nos municípios do interior em 2020?

Eu não sei de todos os nomes, mas sei que o PSDB tem pré-candidatos em Sena Madureira (Toinha Vieira), Tarauacá (Rodrigo Damasceno), Feijó (Pelé Campos), Plácido de Castro (Gedeon), além de Porto Walter (Melo) e Assis Brasil (Zun). O PSDB sempre respeitou as executivas municipais. O certo é que não vamos forçar a barra em candidaturas que não vão prosperar. Muitos nomes fortes estão surgindo aí.

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