A lĂder da Minoria na CĂąmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), apresentou um projeto de decreto legislativo com o objetivo de anular a portaria publicada nesta sexta-feira (28) pelo MinistĂ©rio da SaĂșde (MS), que obriga mĂ©dicos e profissionais de saĂșde a notificarem a polĂcia ao atenderem a vĂtimas de estupro que desejam realizar um aborto legal.
O projeto alega que a norma restringe direitos das mulheres vitimas de violĂȘncia sexual, alĂ©m dos demais casos que tĂȘm direito ao procedimento legal de interrupção da gravidez.
âA portaria estĂĄ com confronto com a lei em vigor e tenta inviabilizar um direito que estĂĄ no CĂłdigo Penal desde 1940, que Ă© a interrupção da gravidez no caso de estupro, esse crime hediondo, da violĂȘncia sexual que, no Brasil, vitimiza uma grande maioria de meninas abaixo dos 14 anos, meninas pobres e negras. Essa portaria constrange profissionais de saĂșde, faz tortura psicolĂłgica com as vĂtimas estabelece uma sĂ©rie de burocracias nos procedimento. De fato, inviabiliza o procedimento. Constrange o exercĂcio do direito da vĂtima. Portanto, essa portaria precisa ser suspensa. NĂłs entramos com o PDL, que Ă© um instrumento legislativo para sustar essa portaria ilegal e que precisa de fato ser banida da estrutura normativa brasileiraâ, declarou a parlamentar.
O projeto de decreto tambĂ©m Ă© assinado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL/RS), PerpĂ©tua Almeida (PCdoB/AC), Alice Portugal (PCdoB/BA), SĂąmia Bomfim (PSOL/SP), Luiza Erundina (PSOL/SP), LĂdice da Mata (PSB/BA), NatĂĄlia Bonavides (PT/RN), Ăurea Carolina (PSOL/MG) e Erika Kokay (PT/DF).
Pela lei brasileira, a interrupção da gravidez Ă© permitida em trĂȘs situaçÔes: quando a gravidez Ă© resultado de violĂȘncia sexual, se nĂŁo hĂĄ outro meio de salvar a vida da gestante e em casos de fetos com anencefalia.
âEntendemos que tanto a legislação em vigor atualmente quanto as normas infralegais que tratam do tema foram fruto de muito debate e nĂŁo podem sofrer retrocessos. Qualquer norma que ofereça constrangimentos para o exercĂcio de um direito deve ser prontamente contestada. As mulheres vĂtimas de violĂȘncia sexual sĂŁo constantemente revitimizadas ao enfrentar o caminho para fazer valer sua opção pelo aborto legal. Na prĂĄtica, a portaria inviabiliza o atendimento das mulheres e meninas vĂtimas de violĂȘncia sexual nos serviços de saĂșde, ao fazer tais exigĂȘnciasâ, justifica a proposta protocolada na tarde desta sexta.
