A regularização fundiĆ”ria Ć© passo importante para o desenvolvimento sustentĆ”vel do paĆs, em especial da RegiĆ£o AmazĆ“nica. Esse foi o consenso entre os participantes da 119ĀŖ reuniĆ£o do Conselho TemĆ”tico de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Coemas) da Confederação Nacional da IndĆŗstria (CNI), realizada nesta segunda-feira (31). Segundo o presidente do Coemas, Marcelo ThomĆ©, a regularização fundiĆ”ria contribui para melhorar a gestĆ£o territorial e ambiental. āAlĆ©m disso, favorece o ambiente de negócios e o combate Ć ilegalidadeā, acrescentou.
A previsĆ£o Ć© que o PL 2.633/2020, que estabelece critĆ©rios para regularização fundiĆ”ria de terras da UniĆ£o, seja votado na CĆ¢mara dos Deputados ainda na primeira quinzena de setembro. Conforme o deputado federal ZĆ© Silva (Solidariedade-MG), relator do projeto de lei, os critĆ©rios para regularizar terras Ć© rigoroso e as regras sĆ£o restritas as Ć”reas ocupadas atĆ© 22 de julho de 2008 com atĆ© seis módulos fiscais ā unidade fixada para cada municĆpio pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma AgrĆ”ria (Incra) que varia de cinco a 110 hectares.
āNesse processo, nĆ£o se permite a autodeclaração e, caso o requerente esteja com todas as documentaƧƵes regulares, o Incra faz vistoria tĆ©cnica remota em que Ć© possĆvel verificar como estĆ” a exploração da propriedadeā, detalhou.
De acordo com o senador Acir Gurgacz (PDT-RO), a regularização fundiĆ”ria estĆ” diretamente ligada Ć conservação ambiental e Ć cidadania dos agricultores. āA terra sem dono Ć© difĆcil autuar, pois Ć© quando nĆ£o se tem documento e CPF facilita o desmatamento ilegalā, afirmou. Gurgacz defendeu ainda que o processo de regularização deveriaĀ ter participação direta de estados e municĆpios para ter mais rapidez.
Gestão adequada de terras e combate ao desmatamento
O professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp, Bastian Reydon, que trabalha hoje no Kadaster, órgĆ£o de cadastro de terras da Holanda, destacou que o Brasil só conseguirĆ” resolver problema do desmatamento se tiver gestĆ£o de terras eficiente. Segundo ele, esse processo deve comeƧar com um cadastro de terras eficiente. āO Brasil tem 200 milhƵes de hectares de terras nĆ£o-registradas e sĆ£o nelas que ocorrem o desmatamento ilegalā, informou. āSe o paĆs tivesse uma boa gestĆ£o territorial, tornariam algumas leis desnecessĆ”rias.ā
Reydon destacou ainda que outro desafio Ć© a complexidade institucional para a regularização fundiĆ”ria. Ele destacou que na Holanda hĆ” apenas um órgĆ£o para cuidar de todo processo. āLĆ” eles tĆŖm informaƧƵes bem detalhadas atĆ© do preƧo da terra e tudo Ć© Ć”gilā, reforƧou. Para entender a questĆ£o, Reydon sugeriu a leitura GovernanƧa de Terras: da teoria Ć realidade brasileira, produzido pela Organização das NaƧƵes Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
O desafio de se ter dados e informaƧƵes territoriais para um processo eficiente de regularização fundiĆ”ria no Brasil foi preocupação compartilhada pelo sócio-presidente da Geodireito, Luiz AntĆ“nio Ugeda, que tambĆ©m Ć© membro do Porto Advogados. De acordo com ele, o Brasil carece de órgĆ£o oficial de geografia para regular a questĆ£o de mapeamentos territoriais e, por isso, nos registros de terras hĆ” grande sobreposição e inseguranƧa jurĆdica. āPrecisamos de uma infraestrutura nacional de dados espaciais em que se faz um mapeamento rigoroso para diversos usos, ganhando eficiĆŖncia e reduzindo custosā, sugeriu.
