Butantã: Vacina chinesa é a que tem menos efeitos colaterais entre as testadas

Por NOTÍCIAS AO MINUTO 20/10/2020 às 08:16

O Instituto ButantĂŁ informou ontem que os testes brasileiros da vacina Coronavac, conduzidos em parceria com a farmacĂȘutica chinesa Sinovac, mostram que o imunizante Ă© o mais seguro entre todos os que estĂŁo em fase final de testes no mundo por apresentar o menor Ă­ndice de efeitos colaterais.

Os dados consideram o acompanhamento de 9 mil voluntĂĄrios brasileiros jĂĄ vacinados no PaĂ­s.

No monitoramento feito após sete dias da aplicação, os pesquisadores observaram apenas efeitos colaterais leves, como dor no local e na cabeça. Não houve registro de eventos adversos graves nem febre alta.

“Fizemos o comparativo desses dados com o que estĂĄ disponĂ­vel na literatura cientĂ­fica das vacinas que estĂŁo sendo testadas. A vacina do ButantĂŁ Ă© a mais segura. Todas tiveram efeitos colaterais grau trĂȘs, que sĂŁo os mais importantes. A vacina do ButantĂŁ nĂŁo teve. Febre Ă© outro indicativo importante, e na do ButantĂŁ foi de apenas 0,1%. Em febre acima de 38 graus, foi zero. É a vacina mais segura neste momento, nĂŁo sĂł no Brasil, mas no mundo”, disse Dimas Covas, diretor do instituto.

De acordo com dados apresentados pelo ButantĂŁ, a incidĂȘncia de eventos adversos entre os voluntĂĄrios foi de 35%, ante ao menos 70% em outros imunizantes. A comparação foi feita com dados das pesquisas de Moderna, Pfizer/BioNTech, AstraZeneca e CanSino. “O sintoma mais frequente foi dor no local, num patamar de 18% entre todos os que receberam placebo ou vacina. O outro foi dor de cabeça, que pode estar relacionada com a vacina ou nĂŁo. E os demais efeitos, como mialgia, fadiga, calafrios, sĂŁo menores que 5%”, completou o cientista.

EficĂĄcia

Conforme antecipado pelo EstadĂŁo no domingo, embora os testes no Brasil comprovem a segurança da Coronavac, os dados de eficĂĄcia do imunizante sĂł devem sair no fim do ano. Depois da conclusĂŁo dos testes, o ButantĂŁ terĂĄ de enviar os resultados Ă  AgĂȘncia Nacional de VigilĂąncia SanitĂĄria (Anvisa) para solicitar o registro do produto.

O órgão tem até dois meses para emitir um parecer, o que torna improvåvel que a vacinação tenha início ainda em 2020, como jå prometido pelo governador João Doria (PSDB).

Anteriormente, Doria havia anunciado que a previsĂŁo era iniciar a imunização no Estado no dia 15 de dezembro, com profissionais de saĂșde.

Na coletiva de imprensa desta segunda-feira, os representantes do governo afirmaram que não é possível dar uma nova data para início da vacinação, pois dependem da inscrição de mais voluntårios, que devem chegar a 13 mil, e do contato desses participantes com o vírus, para confirmar que o imunizante protege de fato.

“Houve uma diminuição no nĂșmero de voluntĂĄrios incluĂ­dos nas Ășltimas semanas, daĂ­ a necessidade de reforçar que mais voluntĂĄrios se inscrevam”, ressaltou Covas.

JoĂŁo Gabbardo, do Centro de ContingĂȘncia contra a Covid-19, afirmou que outro entrave para a finalização do estudo Ă© atingir o nĂșmero mĂ­nimo de infectados pela covid-19 entre o grupo de voluntĂĄrios para saber se a incidĂȘncia da doença foi maior entre o grupo placebo do que entre o grupo vacinado, o que comprovaria o carĂĄter protetor do produto.

Os voluntĂĄrios dos testes da Coronavac sĂŁo todos profissionais de saĂșde, justamente por estarem mais expostos ao vĂ­rus.

No entanto, como a circulação do vĂ­rus diminuiu em SĂŁo Paulo e no PaĂ­s nas Ășltimas semanas, chegar ao nĂșmero mĂ­nimo de infectados para a comprovação de que o imunizante funciona se torna mais difĂ­cil e demorado.

Para a primeira anĂĄlise de eficĂĄcia da Coronavac, sĂŁo necessĂĄrios 61 casos de contaminados entre os voluntĂĄrios.

“Queremos aumentar a velocidade (de pessoas contaminadas entre os voluntĂĄrios para checar eficĂĄcia), mas a transmissibilidade tem diminuĂ­do entre os profissionais de saĂșde justamente por causa das medidas efetivas que tem sido adotadas. EntĂŁo isso joga contra”, afirmou Gabbardo.

Podem participar dos testes da Coronavac profissionais de saĂșde que estĂŁo na linha de frente de atendimento, sem limite de idade. A inscrição deve ser feita diretamente com o hospital ou instituto de pesquisa participante. SĂŁo 16 espalhados pelo PaĂ­s.

PrĂłximos passos

Doria voltou a afirmar que espera que a vacina, caso se mostre eficaz, seja incorporada pelo MinistĂ©rio da SaĂșde para vacinação de todos os brasileiros. Ele disse que terĂĄ uma reuniĂŁo amanhĂŁ com o ministro da SaĂșde, Eduardo Pazuello, e com o diretor-presidente da Anvisa, AntĂŽnio Barra Torres, para tratar do tema.

A Coronavac começou a ser testada no Brasil no fim de julho, com previsĂŁo inicial de 9 mil voluntĂĄrios em 12 centros de pesquisa. Em setembro, o ButantĂŁ obteve aval da Anvisa para aumentar para 13 mil o nĂșmero de participantes do ensaio clĂ­nico, que ganhou mais quatro centros.

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