Em nota, governo do Acre considera legítima greve na educação, mas menciona crise

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O governo do Estado emitiu, na noite desta segunda-feira (22), nota se posicionando sobre a greve dos funcionários da Educação, que estão com as atividades paralisadas desde a última quinta (18).

O governo afirma respeitar a legitimidade do direito à greve, mas que ela só pode ser deflagrada quando uma das partes deixa a mesa de negociação; neste ponto o Estado afirma ter permanecido aberto para o diálogo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac). Entre as exigências dos funcionários está a reposição salarial de 20%.

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O governo diz que, mesmo com o momento de crise financeira enfrentada pelo País, suas ações se voltam para colocar em prática políticas de valorização da carreira dos servidores estaduais. A nota diz que, a partir de acordo extrajudicial, pagará R$ 32 milhões aos funcionários da Educação.

“Os primeiros R$ 8 milhões começam a ser pagos na folha deste mês de junho. São valores referentes à negociação fechada em 2013”, diz o Palácio Rio Branco.

“Esse acordo de R$ 32 milhões reforça o compromisso do governo de valorizar e respeitar o servidor público, traz ganhos salariais e impacta de forma direta no crescimento da folha de pagamento.”

Sobre a redução da jornada de trabalho dos professores, uma das reivindicações da categoria, o governo afirma não ser possível diminuir o número de dias letivos de 200 para 180, o que comprometeria a qualidade do ensino na rede pública.

 “O Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Educação e Esporte (SEE), ampliou aos trabalhadores o direito de receber a gratificação por valorização profissional, a VDP.”

“Com a nova fórmula para o pagamento da VDP, todos os cerca de 17 mil trabalhadores em Educação passarão a recebê-la em maio e junho de 2016. O montante, que era de R$ 12 milhões, saltará para quase R$ 30 milhões” afirma o governo.

Um grupo de professores do comando de greve enviou a seguinte nota em resposta à nota do governo sobre a greve:

“Temos plena consciência do impacto social de nossas ações, mas rejeitamos a ideia de que os estudantes das escolas estaduais sejam prejudicados somente com a greve, afinal ficam sem aulas por falta de água, por falta de merenda, por conta de prédios impróprios para recebê-los, ainda tem o processo de ensino aprendizagem comprometido por salas superlotadas, falta de espaços apropriados (biblioteca, laboratório, e até mesmo banheiro ), falta de professores (em algumas escolas ainda tem alunos sem professores em disciplinas como língua estrangeira, física, química).

E por isso os alunos entendem os motivos do nosso movimento, pois vai muito além da questão salarial, nos mobilizando mostramos que queremos valorização da educação e consequentemente qualidade de ensino para as escolas públicas. A culpa não é nossa, mas sim do governo que prioriza a montagem de curral eleitoral, prioriza os seus financiadores de campanhas eleitorais Em detrimento daquilo que Deveria ser prioridade, a Educação!

Leia a nota do governo do Acre:

NOTA OFICIAL

O Governo do Estado do Acre vem a público se manifestar acerca do processo grevista deflagrado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), na última quinta-feira, 18.

É de domínio público que o país passa pela maior crise das últimas duas décadas, afetando todos os Estados e municípios, principalmente os mais pobres.

O Estado Acre, mesmo sofrendo os efeitos dessa crise, tem honrado todos os compromissos assumidos historicamente com os trabalhadores, entre eles os da área da Educação.

Entendemos que a greve é um instrumento legítimo, mas que deve ser deflagrada quando as partes se recusam a dialogar. O governo, em momento algum, se retirou da mesa de negociação e mantém as portas abertas para o diálogo com os representantes dos trabalhadores.

No momento em que ainda há desencontro de informações, aproveitamos para ressaltar pontos que julgamos importantes, a fim de que não pairem dúvidas:

 – Formalizamos, neste mês de junho, acordo extrajudicial de R$ 32 milhões com os trabalhadores em Educação. Os primeiros R$ 8 milhões começam a ser pagos na folha deste mês de junho. São valores referentes à negociação fechada em 2013.

– Esse acordo de R$ 32 milhões reforça o compromisso do governo de valorizar e respeitar o servidor público, traz ganhos salariais e impacta de forma direta no crescimento da folha de pagamento.

– A carga horária anual permanecerá de 200 dias letivos, conforme estabelece a legislação, não havendo possibilidade da redução para 180 dias letivos, uma vez que afronta, principalmente, a qualidade do ensino oferecido aos milhares de estudantes matriculados na rede estadual, qualidade essa que se tornou uma marca do nosso governo.

– o Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Educação e Esporte (SEE), ampliou aos trabalhadores o direito de receber a gratificação por valorização profissional, a VDP. Para que isso seja possível, houve uma mudança de critérios – antes, apenas os professores e os gestores tinham direito a receber esse benefício.

– Com a nova fórmula para o pagamento da VDP, todos os cerca de 17 mil trabalhadores em Educação passarão a recebê-la em maio e junho de 2016. O montante, que era de R$ 12 milhões, saltará para quase R$ 30 milhões.

– Os salários dos professores, sejam efetivos ou provisórios, estão garantidos. Todos receberão seus vencimentos, haja vista que compreendemos ser sagrado esse direito.
Ao longo dos anos, nos pautamos pelo respeito e pela verdade no trato com nossos servidores públicos e com a sociedade acreana. Entendemos que os avanços obtidos foram frutos dessa postura ética e responsável. Jamais nos afastaremos da forma de condução à frente do Governo do Estado do Acre.

Continuamos com a disposição para o diálogo. Mas, por dever de equilíbrio e responsabilidade, o Estado não pode acatar qualquer proposta que venha gerar impacto na folha de pagamento.

Leonildo Rosas
Porta-voz do Governo do Estado do Acre

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