BC prevê inflação de 9% e queda de 1,1% do PIB no ano

221707686Economia

221707686O Banco Central admitiu, nesta quarta-feira, que a recessão deve ser muito mais rigorosa que a esperada antes. A previsão para a retração da economia brasileira neste ano saltou de 0,5% para 1,1%. O relatório trimestral de inflação diz ainda que a inflação deve chegar a nada menos que 9%. A previsão anterior para Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era de 7,9%.

Se as estimativas forem confirmadas, será a maior inflação desde 2003. Para a atividade econômica, 2015 será o pior dos últimos 25 anos. Ou seja, desde quando o ex-presidente Fernando Collor confiscou a poupança dos brasileiros e paralisou a economia, que encolheu 4,3%, segundo dados do IBGE.

O diretor de Política Econômica do BC, Luiz Pereira Awazu, ressaltou que estamos em um momento complexo da economia mundial. E o Brasil tem de estar preparado para o momento em que os Estados Unidos retirarem os estímulos à economia americana. No ano passado, vários economistas alertaram para o perigo desse momento de mudança de rumos na economia mundial sendo que o país vive numa crise econômica. O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto escreveu um artigo de grande repercussão em que dizia esperar uma “tempestade perfeita”.

— Deixamos para trás o risco de uma tempestade perfeita, mas, apesar da melhora de percepção, é imprescindível continuar o processo de ajuste. Temos de estar com a macroeconomia em ordem e estabilizada para o lift-off (essa retirada de estímulos), usando a receita padrão: reforçar o arcabouço de política econômica, mantendo fundamentos sólidos — disse Awazu.

Para justificar a alta da expectativa da inflação de 1,1 ponto percentual, o BC culpou o reajuste das tarifas públicas que foi represado no passado artificialmente pelo governo e, agora, o efeito rebote foi maior que o previsto. Além disso, disse que a inflação cresceu mais do que a autarquia conseguiu imaginar.

— Nós sabemos que 2015 é um ano de ajuste tradicional — disse Awazu. — A melhor contribuição da política monetária para esse círculo virtuoso e de mais crescimento é colocar a inflação na meta de 4,5% no fim de 2016 e ancorar expectativas no médio e longo prazos.

Awazu detalhou como serão as fases de recuperação da economia brasileira. Foi a primeira vez que uma autoridade do BC fez um prognóstico tão detalhado. Segundo o diretor, a primeira fase é um ajuste da atividade, ou seja, o freio da economia. No caso brasileiro, isso tem ainda o impacto dos eventos não-econômicos que sobrepõem-se ao processo de ajuste. Isso faz com que haja uma forte queda no investimento.

A segunda etapa detalhada por ele é do impacto na inflação. O problema no Brasil é que a persistência da inflação contamina esse processo. Já a terceira fase é de resultados melhores que sinalizam horizonte de estabilidade como inflação na meta de 4,5% e ancorada no curto, médio e longo prazos. Mais uma vez, ele indicou que mais aumento de juros podem vir pela frente:

— A consolidação desse processo de ajuste requer determinação e perseverança.

PUBLICIDADE