O Dia da Árvore, celebrado em todo o país nesta quarta-feira, 21 de setembro, é uma data sem muito a se comemorar em relação à Amazônia, onde está a maior floresta tropical do mundo e as maiores árvores do planeta. Mesmo assim, no Acre, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Estado que menos desmata na região, ainda é possível se encontrar árvores com até 50 metros de altura, correspondentes a prédios de até 18 andares e maiores que a imagem do Cristo redentor, no Rio de Janeiro, que mede 38 metros. No entanto, a devastação ainda é preocupante.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora a devastação na região amazônica, a Amazônia Legal teve, em 2022, a maior taxa de desmatamento para um primeiro semestre em sete anos. Foi um início de ano devastador para o meio ambiente, reafirma o Inpe. Entre os meses de janeiro e junho, a Amazônia perdeu quase 4 mil km² de vegetação, área duas vezes e meia maior que a cidade de São Paulo.
A destruição da floresta superou a do primeiro semestre de 2021, que até então tinha sido a maior já registrada. “Mais de 98% do desmatamento da Amazônia tem indício de ilegalidade. Então, uma atividade ilegal se expande quando não há risco ou perspectiva de punição. Se há um claro sinal de intolerância com a impunidade, aí o desmatamento tende a cair”, diz Tasso Azevedo, do MapBiomas, outra instituição preocupada com o avanço da devastação.
O Inpe mostra que 79% do desmatamento se concentram em três estados: Mato Grosso, Pará e Amazonas – que, sozinho, foi responsável por 31%, mais 1,2 mil km de floresta destruída.“O Amazonas, durante muito tempo, se manteve fora dessa lógica da economia da destruição. O que a gente está vendo, infelizmente, é uma interiorização nessa área sul, principalmente, do Amazonas. E muita violência: se expulsa o povo original, se expulsa o povo indígena, as populações extrativistas que vivem ali às vezes por gerações, e se toma essa área”, aponta Greenpeace.
A aceleração do desmatamento está fazendo a Amazônia chegar perto de um ponto em que vai ser impossível reverter os estragos causados pela destruição da floresta, o que torna mais urgente ainda medidas que possam acabar com o problema, alertam os pesquisadores. “A gente está se aproximando dos 20% de desmatamento da Amazônia. A estimativa que a gente tem é que, entre 20 e 25% de perda de cobertura florestal, a Amazônia começa a perder as suas funções, especialmente formar as nuvens que formam a chuva para região Centro-Sul do Brasil. A gente precisa estancar o desmatamento que é uma questão de segurança energética e alimentar e de saúde dos brasileiros”, avalia Tasso Azevedo.
Em meio às ameaças de destruição, o Acre é o Estado da região que menos desmata e abriga em seu território porção considerável da mais extensa floresta tropical contínua do mundo ainda preservada. Embora os pesquisadores considerem errado a expressão de que a região é o “Pulmão do Mundo”, é inegável que a quantidade de carbono fixado pela floresta amazônica é muito significativa, sendo ela uma espécie de imenso filtro ecológico, responsável por reduzir a quantidade de gás carbônico (CO2) na atmosfera.
A floresta amazônica encontra-se sobre solos de pouca fertilidade que, pela temperatura e umidade elevadas, são bastante ácidos. Uma das características mais incríveis dessa floresta é que ela não vive em função do solo, mas em função de si mesma, graças ao rápido processo de reciclagem das folhas, galhos, troncos e restos de animais realizados pelos fungos, bactérias e artrópodes. Após a decomposição, forma-se uma fina camada superficial rica em nutrientes (húmus) que são rapidamente absorvidos pelas plantas. Isso é o que leva as raízes a se desenvolverem no sentido horizontal ou, às vezes, crescerem no sentido vertical com raízes chatas, triangulares e tabulares.
A vegetação amazônica é majoritariamente latifólia, higrófila, heterogênea, perenefólia e dispersa. No estado do Acre, os tipos de vegetação presentes estão diretamente relacionados ao clima da região, que é quente e úmido, apresentando duas estações: a seca, que se estende de maio a outubro – quando são comuns as “friagens” –, e a chuvosa, que se prolonga de novembro a abril.
De acordo com dados publicados pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, em 2005, os tipos de vegetação do Estado do Acre podem ser divididos da seguinte maneira: Região da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical); Região da Floresta Ombrófila Aberta (Faciações da Floresta Densa); região da Campinarana; áreas de Tensão Ecológica ou Contatos Florísticos; rgião da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical).
A vegetação acreana é constituída basicamente de árvores de porte entre 20 e 50 metros (meso e macrofanerófitos), além de lianas e epífitos. Para se ter uma ideia do tamanho essas árvores, como uma Samauma em Xapuri, no Seringal Cachoeira, por isso mesmo chamada e Rainha da Floresta e que atrai muitos visitantes, é maior que a imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, que é de 38 metros de altura.
A vegetação acreana distribui-se em áreas de clima ombrotérmico, ou seja, praticamente sem período seco, com precipitações acima de 2.300 mm e temperaturas médias anuais, geralmente, entre 22°C e 23°C. No Estado do Acre, as variações altimétricas possibilitaram separar em três formações: Floresta Ombrófila Densa Aluvial; Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas; Floresta Ombrófila Densa Submontana e Região da Floresta Ombrófila Aberta (Faciações da Floresta Densa).
Ainda situado na faixa de clima ombrotérmico, esse tipo de vegetação diferencia-se por adaptar-se a um curto período seco (dois a três meses). Apesar de constituída por meso e macrofanerófitos, como na Floresta Densa, tem uma dominância de formas biológicas de fanerófitas rosuladas e lianas lenhosas. Já foi considerado uma tipologia vegetal de transição entre floresta amazônica e florestas das áreas extra-amazônicas. No Brasil, costuma aparecer nos espaços intermediários ao sul do Vale do Amazonas, entre o domínio da Floresta Ombrófila Densa e a Floresta Estacional Semidecidual e o Cerrado. No Acre, por conta dos mesmos critérios altimétricos da região anterior, identificou-se duas formações (configurando distintas faciações com bambus, com palmeiras e com cipós).
De acordo com o IBGE, esse tipo de vegetação, no Brasil, é encontrado apenas na Amazônia, expandindo-se a partir da sua porção ocidental norte, onde foi mencionada inicialmente nas bacias do alto rio Negro e médio rio Branco, mas que ocorre também como disjunções ecológicas, dispersas por toda a Hileia, do Acre ao Pará, interiorizando-se ainda pela Colômbia e Venezuela. Seu nome, significa “falso campo”, e possui vegetação quase sempre adaptada a solos encharcados.





