Na noite desta terça-feira, 19 de setembro, a pequena cidade do Bujari, situada no interior do Acre, testemunhou uma plenária lotada de manifestantes, enquanto os vereadores votavam o pedido de cassação do vereador Gilvan Souza, filiado ao PCdoB, acusado de violência política contra a colega vereador Eliane Abreu, do Progressistas (PP).
O resultado da votação, que se desenrolou sob olhares ansiosos dos presentes, foi decisivo: Gilvan teve seu mandato cassado por uma margem apertada de 4 votos a 3, com votos favoráveis à cassação dos vereadores Jairo Moraes (MDB), Elias Daia (PSDB), Maria Aparecida (PP) e James Mourão (PP).
O caso de Gilvan Souza havia passado por uma intensa investigação interna na Câmara de Vereadores, conduzida pela Comissão de Ética. O resultado desse esforço culminou em um relatório de 232 páginas, no qual a maioria dos membros da comissão concluiu que o vereador praticou ato incompatível com o decoro parlamentar, especificamente na modalidade de praticar ofensas físicas ou morais nas dependências da Câmara. Essa decisão da Comissão de Ética foi o ponto de partida para o pedido de cassação.
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A situação já havia sido objeto de investigação pela Polícia Civil local, cujo delegado, Bruno Coelho, após analisar vídeos e depoimentos de testemunhas, não teve dúvidas quanto às ameaças cometidas por Gilvan. O vereador estava sendo acusado de ameaçar Eliane Rosita, também vereadora pelo Progressistas. Na semana anterior à votação na Câmara, o delegado tornou público o resultado final do inquérito policial, no qual solicitou ao judiciário a implementação de medidas cautelares, incluindo a proibição de Gilvan de manter contato com a vereadora e seus familiares, a necessidade de manter uma distância mínima de 300 metros de Eliane, além da utilização de tornozeleira eletrônica.
O pedido de cassação do mandato de Gilvan Souza foi formalizado pela própria vereadora Eliane Abreu e pelos advogados Ângela Maria Ferreira e Pedro Paulo e Silva Freire.
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