O mĂŞs de fevereiro deve causar ansiedade entre os partidos polĂticos do paĂs todo. É que o Supremo Tribunal Federal deve retomar o julgamento sobre a distribuição das cadeiras decorrentes de sobras eleitorais nas eleições proporcionais. Essas sobras sĂŁo aquelas vagas nĂŁo preenchidas pelos partidos polĂticos, de acordo com os critĂ©rios do sistema proporcional na divisĂŁo inicial. E Ă© justamente a terceira fase de distribuição dessas vagas que virou pauta de trĂŞs ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), impetradas por 4 partidos polĂticos: Rede Sustentabilidade, PSB, Podemos e PP.

BrasĂlia (DF) 11/04/2023 Fachada do palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ AgĂŞncia Brasil
As ADIs analisadas pelo STF sĂŁo as ADIs 7228 e ADI 7263.
As legendas querem que essas sobras sejam divididas entre todos os partidos que participaram das eleições nessas vagas, independentemente do cumprimento do quociente.
A atual legislação estipula que, para poder participar dessa divisĂŁo, os partidos precisam ter alcançado pelo menos 80% do quociente eleitoral e apresentar um candidato com no mĂnimo 20% da votação nominal, para poder participar da divisĂŁo das sobras das cadeiras na Câmara dos Deputados.
A mudança já tem três votos favoráveis: o do relator, Ricardo Lewandowski, que atualmente já está aposentado, e os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. A decisão vai mudar a composição da Câmara dos Deputados em 8 cadeiras.
Na Ă©poca, o relator defendeu a inclusĂŁo de todos os partidos na divisĂŁo das sobras, alegando que a exclusĂŁo das siglas resultaria na polarização polĂtica.
“A inviabilização do pluralismo polĂtico, como tem demonstrado a experiĂŞncia histĂłrica, acaba acarretando a extinção dos partidos menores ou, quando mesmo, promove uma drástica redução de sua importância, permitindo que os partidos maiores, em geral de massa, conquistem o monopĂłlio da atividade polĂtica, instaurando, assim, uma indesejável partidocracia”, disse em trecho do voto.
De olho!
O julgamento do STF pode beneficiar três candidatos a deputado federal que não conseguiram ser eleitos em 2022: Jessica Sales (MDB), Perpétua Almeida (PcdoB) e Minoru Kinpara (PSDB), que podem garantir uma cadeira caso a proposta seja aprovada.
Por outro lado, a distribuição das sobras eleitorais podem prejudicar os mandatos de Ghelen Diniz, Roberto Duarte e Eduardo Velloso, que recentemente se afastou do cargo por problemas pessoais. Isso são apenas projeções. A confirmação só deverá ser feita após o julgamento, com a regulação proposta no STF.
O julgamento será retomado no dia 08 de fevereiro.

