As canetas emagrecedoras estão entre os assuntos mais comentados da atualidade quando o tema é emagrecimento. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida vêm proporcionando perdas de peso expressivas e trazendo esperança para muitas pessoas que convivem com sobrepeso e obesidade.
Mas existe uma pergunta que merece tanta atenção quanto o número na balança:
O que acontece quando a fome volta?
A resposta está diretamente relacionada aos hábitos que foram construídos durante o tratamento.
Embora os medicamentos sejam ferramentas extremamente eficazes, eles não substituem alimentação adequada, atividade física, mudança de comportamento e acompanhamento profissional.
Como as canetas ajudam no emagrecimento
Esses medicamentos atuam em mecanismos relacionados ao controle da fome e da saciedade.
Na prática, muitas pessoas relatam:
- menos fome ao longo do dia;
- maior sensação de saciedade;
- menor interesse por grandes volumes de comida;
- mais facilidade para manter um déficit calórico.
Esses efeitos ajudam a reduzir a ingestão alimentar e favorecem a perda de peso.
Porém, é importante entender que o medicamento não elimina a necessidade de mudanças no estilo de vida.
O período de uso é uma oportunidade de transformação
Um dos maiores erros é enxergar a caneta apenas como uma forma rápida de emagrecer.
Na realidade, esse período deveria ser utilizado para construir hábitos que possam ser mantidos a longo prazo.
É o momento ideal para:
- aprender a organizar refeições;
- melhorar a qualidade da alimentação;
- aumentar o consumo de proteínas;
- incluir frutas, verduras e legumes;
- melhorar a hidratação;
- desenvolver uma rotina de atividade física.
Porque, em algum momento, o tratamento pode ser interrompido ou ajustado.
E quando isso acontece, a fome tende a aumentar novamente.
A caneta reduz a fome, mas não cria hábitos
Esse é um dos pontos mais importantes.
O medicamento ajuda no controle do apetite, mas não ensina:
- como lidar com a ansiedade;
- como controlar a alimentação emocional;
- como fazer escolhas alimentares equilibradas;
- como organizar a rotina alimentar;
- como manter uma relação saudável com a comida.
Se essas mudanças não acontecerem durante o tratamento, existe maior risco de recuperar parte do peso perdido após a suspensão da medicação.
O papel da atividade física vai muito além do gasto calórico
Durante o emagrecimento, não ocorre apenas perda de gordura.
Dependendo da alimentação e do estímulo físico, também pode haver redução da massa muscular.
Isso pode resultar em:
- diminuição da força;
- pior composição corporal;
- metabolismo mais lento;
- maior flacidez.
Por esse motivo, a prática regular de atividade física, especialmente musculação e exercícios de força, é fundamental.
Além de preservar a massa magra, ela ajuda a melhorar a qualidade do emagrecimento e facilita a manutenção dos resultados.
Emagrecer não é apenas perder peso
Muitas pessoas focam exclusivamente nos quilos eliminados.
Mas saúde vai além da balança.
Um bom processo de emagrecimento deve buscar:
- redução de gordura corporal;
- preservação ou ganho de massa muscular;
- melhora dos exames laboratoriais;
- aumento da disposição;
- melhora da qualidade de vida;
- construção de hábitos sustentáveis.
O objetivo não deve ser apenas emagrecer rapidamente, mas criar condições para manter os resultados por muitos anos.
A mudança precisa começar na mente
A obesidade é uma doença complexa e multifatorial.
Por isso, o sucesso do tratamento não depende apenas da redução da fome.
Depende também da mudança de comportamento.
A pessoa continuará enfrentando:
- estresse;
- eventos sociais;
- rotina corrida;
- emoções;
- gatilhos alimentares.
Aprender a lidar com essas situações é uma das etapas mais importantes do processo.
As canetas emagrecedoras representam um dos maiores avanços já observados no tratamento da obesidade e podem trazer benefícios importantes para a saúde.
No entanto, elas não substituem hábitos saudáveis.
O medicamento pode ajudar a reduzir a fome e facilitar o emagrecimento, mas a manutenção dos resultados depende das escolhas feitas durante o tratamento.
Quando a fome voltar, serão os hábitos construídos ao longo do caminho que determinarão a capacidade de manter os resultados conquistados.
Por isso, o tratamento da obesidade deve ser encarado de forma ampla e individualizada.
O acompanhamento de uma equipe multidisciplinar faz toda a diferença nesse processo. Nutricionistas, médicos, educadores físicos e psicólogos possuem papéis complementares e ajudam a construir estratégias mais seguras, eficazes e sustentáveis.
Mais importante do que perder peso é desenvolver hábitos que promovam saúde e qualidade de vida a longo prazo.
Referências científicas
WILDING, J. P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. The New England Journal of Medicine, v. 384, n. 11, p. 989-1002, 2021.
JASTREBOFF, A. M. et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. The New England Journal of Medicine, v. 387, n. 3, p. 205-216, 2022.
RUBINO, D. et al. Effect of continued weekly subcutaneous semaglutide vs placebo on weight loss maintenance. JAMA, v. 325, n. 14, p. 1414-1425, 2021.

Luana Diniz
Foto: Clara Lis
Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.
Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.
É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.
