Progressistas, comandado pela vice-governadora Mailza Assis, segue sendo o partido com maior número de prefeituras no Acre: 14 no total. Essa base municipal é o principal trunfo da sigla para sustentar a pré-candidatura de Mailza ao Governo em 2026.
Do outro lado, o senador Alan Rick, recém-filiado ao Republicanos, trabalha para reduzir essa vantagem. O plano dele é conquistar o apoio de prefeitos de outras legendas, especialmente os que não têm compromisso direto com o PP.
Por enquanto, Alan já conseguiu sinalização positiva de dois prefeitos: Olavinho Boiadeiro, de Acrelândia, e Railson Ferreira, de FeijĂł, ambos do Republicanos. A expectativa Ă© que, atĂ© o inĂcio de 2026, o senador amplie essa rede e se consolide como o principal nome da oposição dentro da base do governo Gladson Cameli.
MDB e PSD entram na disputa entre Mailza e Alan
Além do Progressistas, que tem 14 prefeituras, outros dois partidos com presença forte no interior também estão no centro da disputa por alianças para 2026: o PSD, do senador Sérgio Petecão, e o MDB.
Mailza Assis e Alan Rick travam uma disputa silenciosa por esses dois grupos, que podem ser decisivos no equilĂbrio de forças para o prĂłximo pleito. PetecĂŁo Ă© candidato Ă reeleição ao Senado e tenta manter coesa a base de prefeitos do PSD, distribuĂda por regiões estratĂ©gicas como o Juruá e o Alto Acre. Já o MDB conserva influĂŞncia em municĂpios mĂ©dios e tende a ser cortejado por ambos os lados.
Nos dois casos, tanto Mailza quanto Alan buscam ampliar o diálogo e garantir apoio nas bases. A lógica é clara: quem reunir o maior número de prefeituras, entra em 2026 em posição mais confortável na disputa pelo Palácio Rio Branco.
MDB de Rio Branco racha e vereadores decidem apoiar Alan Rick
No MDB, o clima também é de divisão. Os vereadores de Rio Branco pelo partido já definiram o rumo que pretendem seguir em 2026: vão apoiar o senador Alan Rick, que recentemente se filiou ao Republicanos. A decisão já foi comunicada à direção estadual da sigla, que, por sua vez, demonstra alinhamento com a vice-governadora Mailza Assis.
O movimento escancara um racha interno semelhante ao que ocorreu no Republicanos, onde os três deputados estaduais não participaram da filiação de Alan por manterem lealdade a Gladson Cameli e Mailza. A expectativa é de que esses parlamentares acabem deixando o partido nos próximos meses.
A polĂtica segue seu curso natural: quando o barco muda de rota, sĂł permanece a bordo quem está disposto a naufragar junto.
Nem todos
A lista dos 14 prefeitos que hoje dão ao Progressistas a maior hegemonia municipal do Acre pode não ser tão sólida quanto parece. Embora a sigla seja o principal trunfo da vice-governadora Mailza Assis para sustentar sua pré-candidatura ao Governo em 2026, há sinais de que nem todos esses gestores estarão no mesmo palanque quando a campanha começar.
Alguns prefeitos do próprio PP têm mantido conversas frequentes com o senador Alan Rick, recém-filiado ao Republicanos. Em alguns casos, pesa a relação pessoal mais próxima com o senador. Em outros, desavenças acumuladas com Mailza e com o comando estadual do partido.
O tema ainda Ă© tratado com cautela, mas a movimentação Ă© real. A expectativa entre aliados de Alan Ă© que, atĂ© meados de 2026, parte desses prefeitos possa migrar para o seu campo polĂtico, mesmo permanecendo formalmente no Progressistas.
Nas mĂŁos
O prefeito TiĂŁo Bocalom mostrou nesta semana que continua com a Câmara Municipal sob controle. A votação da Lei Orçamentária Anual, a peça mais estratĂ©gica do ano para o Legislativo, virou demonstração clara de força polĂtica. Foram mais de 60 vetos derrubados e, na prática, o orçamento de 2025 permanece praticamente idĂŞntico ao que o Executivo enviou.
Quem acompanha a relação entre Bocalom e os vereadores não se espantou. A base já apresentou altos e baixos ao longo do mandato, mas, quando o assunto é orçamento, o prefeito trabalha para que nada escape das suas mãos. E conseguiu.
Nos gabinetes da Câmara, vereadores admitem, em reservado, que a gestão operou com eficiência para garantir o resultado. O recado interno é direto: mesmo com desgastes acumulados e disputas por espaço, Bocalom segue com maioria fiel e capacidade de articulação.
Pegou feio!
A sessĂŁo desta semana deixou um alerta no ar para a base do prefeito TiĂŁo Bocalom. Pela primeira vez que se tem notĂcia na histĂłria da Câmara Municipal, uma indicação ao tĂtulo de CidadĂŁo Rio-branquense nĂŁo passou. E o nome rejeitado nĂŁo era de alguĂ©m distante da gestĂŁo. Era o do secretário municipal de Agricultura, Eracildes Caetano de Souza.
Para aprovar a honraria eram necessários 14 votos. O plenário estava esvaziado, com apenas 15 vereadores presentes. Resultado: 11 votos favoráveis e quatro contrários, todos da oposição. A base, que costuma garantir segurança nesses rituais protocolares, falhou.
No entorno do prefeito, a avaliação é de que o episódio acendeu uma luz amarela. Bocalom deve cobrar explicações, especialmente porque a rejeição não apenas expôs um descuido estratégico como também constrangeu um membro do primeiro escalão.
A leitura interna Ă© de que, se a base vacilou em uma votação simbĂłlica, precisa reorganizar o funcionamento para evitar ruĂdos maiores em pautas sensĂveis.
O filho do pastor!
As especulações sobre possĂveis retaliações do governo do Estado a apoiadores da prĂ©-campanha do senador Alan Rick ganharam um novo capĂtulo nesta quarta-feira, 12. Depois da exoneração do esposo do prefeito de FeijĂł, na segunda-feira, agora foi a vez do filho do pastor Agostinho, da Igreja Batista do Bosque, entrar no radar.
Paulo Vitor Marques Ribeiro, que trabalhava por meio de uma empresa terceirizada, foi desligado. No documento da Segov, a justificativa é contenção de gastos com mão de obra terceirizada. A demissão ocorre poucos dias após o pastor Agostinho participar do ato de filiação de Alan ao Republicanos, no último sábado, onde declarou apoio público e fez uma oração pedindo que o senador seja eleito governador.

